Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)
Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)
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Como é que há mais de 800 anos era possível a convivência, numa mesma terra, entre cristãos, muçulmanos e judeus? Assim aconteceu, de facto, em Portugal, em Palmela, por exemplo, onde de 28 a 30 de Setembro vai decorrer uma feira medieval para recordar precisamente essa época.

Durante três dias, no centro histórico da vila vai haver desfiles, torneios, demonstrações de armas e muita animação, com música, dança, jograis, artes de rua, falcoaria e jogos tradicionais. Os visitantes são convidados a descobrir um mercado medieval e a provar a gastronomia daquele período, não só cristã mas também árabe.

Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)
Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)

Após a segunda conquista cristã de Palmela, em 1165, era importante fixar população no território fronteiriço. O povoamento garantia uma melhor defesa contra eventuais ataques. Para o rei, D. Afonso Henriques, ainda que os muçulmanos fossem o inimigo, era importante mantê-los na vila e na região, de modo a assegurar a continuidade de várias actividades produtivas a que se dedicavam.

Todos eram bem-vindos, não importava o credo, mas tinham que viver em comunidades próprias, com regras próprias. Por esse motivo, o monarca concedeu em 1770 a Carta de Segurança aos muçulmanos, não só de Palmela mas também de Lisboa, Almada e Alcácer.

Houve lutas, claro. A primeira em 1147, quando as tropas cristãs conquistaram a vila, há vários séculos ocupada pelos mouros. Seguiram-se batalhas, vitórias para ambos os lados, até ao triunfo cristão em Navas de Tolosa, em 1212, que contribuiu decisivamente para o fim do domínio muçulmano da Península Ibérica.

Uma das maiores feiras do país

É este ambiente que a Feira Medieval vai recriar. Entre a rotina do dia-a-dia e a adrenalina de um torneio, entre o imponente castelo e o seu miradouro somos levados a conhecer de perto como era a vida em Palmela nos séculos XII e XIII. O programa inclui ainda três cortejos temáticos de grande impacto, dois diurnos e um nocturno, com centenas de figurantes, a dança vertical na Torre de Menagem do Castelo e espectáculos de fogo. Na histórica Igreja de Santiago vai haver ateliers, música, danças tradicionais e canto.

Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)
Fotografia: Câmara Municipal de Palmela (Imagens da edição de 2017)

A feira vai apenas na 5ª edição, mas é uma das maiores do país, com um grande impacto na economia local, especialmente no comércio, restauração e alojamento, “cujo volume de negócio aumenta durante os dias do evento”, garante o município de Palmela, que organiza o certame. Para esta edição são esperados entre 30 mil e 32 mil visitantes.

Segundo a autarquia, a feira contribui também para o desenvolvimento cultural e artístico, através das “oportunidades de trabalho que oferece a diferentes grupos de animação, nas áreas do teatro, da dança, da música e das artes de rua, entre outras”. Esse impacto é muito mais do que local, dado que as companhias convidadas e os seus respectivos artistas são nacionais e, por vezes, internacionais.

De tal forma que o município de Palmela antevê o aparecimento de “novas dinâmicas e áreas de negócio”, com a fixação de micro e pequenas empresas em áreas associadas à época medieval, à recuperação de artes e ofícios, à dinamização gastronómica, “entre outras vertentes criativas que se poderão instalar na vila, contribuindo para a criação de emprego e para a atracção de novas actividades”.  


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