14 de Agosto de 1385. Os castelhanos chegam ao campo de batalha pela hora de almoço, debaixo de um sol escaldante. Os portugueses aguardam numa colina. Sabem estar em inferioridade, mas permanecem calmos.
O exército está disposto num quadrado: a vanguarda tem 600 lanças e é comandada por D. Nuno Álvares Pereira, na ala direita, com 200, estão os jovens fidalgos e por isso chamam-lhe a “ala dos namorados”. À esquerda estão portugueses e ingleses e, na retaguarda, el-rei com 700 lanças. O resto são homens de pé, besteiros e peões.
Pelas seis da tarde, o inimigo decide atacar, mesmo não estando completamente instalado. Avança a cavalaria a toda a brida, mas sem sucesso: o campo é estreito e os castelhanos não se apercebem das armadilhas deixadas pelos portugueses, as célebres “covas de lobo”, onde caem muitos cavalos, o que provoca grande confusão, agravada pela chuva de dardos, setas e pedras. O inimigo é massacrado mesmo antes de entrar em combate. Ao pôr-do-sol a batalha está ganha. Portugal assegura a independência.
A Batalha de Aljubarrota é um dos episódios mais importantes da história do país e dá o mote para um evento marcante na vila que há 633 anos ficou célebre. Aljubarrota Medieval é uma lição de história ao vivo, onde é possível ver de perto figuras como o Mestre de Avis, o Santo Condestável ou a Padeira, a famosa Brites de Almeida, que, diz a lenda, matou com a pá sete castelhanos que se haviam escondido no seu forno.
Provar o queijo da padeira
A elas juntam-se os comuns súbditos, mercadores e almocreves, viandeiros e estalajadeiros, músicos e malabaristas. Também há homens de luta, prontos a disputar torneios de armas e de honra ou a mostrar como era um acampamento militar. Um dos grandes momentos promete ser a recriação da batalha, no dia 12 de Agosto, seguida do cortejo de vitória pelas ruas da vila.
Ao andar por essas ruas, será impossível resistir ao cheiro que vem do mercado: o afamado queijo da padeira, os enchidos e as carnes de caça, os doces, o mel e as compotas. Nada melhor do que entrar numa taberna medieval e saborear os deliciosos repastos acompanhados de um bom licor, antes de voltar ao corrupio – rábulas, música, teatro, animação de rua, dança e jogos de alegria animam a vila.
Os visitantes, ainda que acanhados, são chamados a participar. E há três outros momentos que vão fazer as delícias de quem gosta desta época histórica: as Noites da Padeira e de D. Nuno Álvares Pereira e o Casamento Medieval, nos dias 13, 14 e 15 de Agosto, respectivamente. Acima de tudo, Aljubarrota Medieval vai mostrar como há 633 anos as gentes de um pequeno reino exibiram toda a sua valentia, derrotando um adversário temível, e iniciaram o período mais glorioso da sua história.
Espírito guerreiro ou não, todos podem mergulhar nas Recriações Históricas que a Descla aborda no seu último número – leia tudo sobre elas aqui.
Texto: Lino Ramos