Os mergulhadores da marinha fazem a primeira vistoria ao navio afundado. O vídeo foi publiccado no Facebook da Marinha Portuguesa
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O histórico navio Afonso Cerqueira, afundado esta semana ao largo do cabo Girão, na ilha da Madeira, vai em breve iniciar uma nova missão: criar um recife artificial e ajudar a proteger a biodiversidade naquela zona.

Ao longo de 40 anos ao serviço da marinha portuguesa, a corveta testemunhou um momento histórico, a invasão de Timor-Leste pela Indonésia em 1975, sendo desde então lembrado como o primeiro navio militar português a fazer uma viagem de circum-navegação após o final da Segunda Guerra Mundial.

A partir daí a corveta foi usada, por exemplo, nos cruzeiros dos Açores, onde em 1998 sofreu um incêndio, quando estava atracada no porto da Horta, na ilha do Faial. O navio, com 85 metros de comprimento e 14 de altura, teve uma tripulação regular de sete oficiais, 14 sargentos e 51 praças.

Afonso Cerqueira deixou de operar a 11 de Março de 2015 e foi cedido pela marinha portuguesa à Madeira. Agora, segue o destino de outros navios antigos, como o Madeirense e o General Pereira D’Eça, afundados em 200 e 1016, respectivamente, junto à costa de Porto Santo.

O objectivo de mais este afundamento é criar um “roteiro de recifes artificiais”, como anunciou aos jornalistas o presidente do governo madeirense, Miguel Albuquerque, na terça-feira, dia em que decorreu a operação.

“O mergulho tem crescido exponencialmente como polo de atractividade do turismo da Madeira”, sublinhou o autarca, defendendo que o arquipélago tem de aproveitar o “mar maravilhoso” que tem.

Além do potencial turístico, o novo recife artificial visa recuperar os recursos piscícolas da área, aumentando a biodiversidade e criando um local de abrigo para reprodução da vida marinha.

A operação de afundamento custou meio milhão de euros e foi preparada por uma equipa de mergulhadores da marinha, obrigando ao uso de explosivos, detonados quase em simultâneo, para criar buracos no casco do navio.

A corveta está agora a 400 metros da costa, a uma profundidade de cerca de 30 metros. Concluída a operação, os mergulhadores da marinha fizeram a primeira vistoria para garantir que o navio apresenta as condições de segurança para poder ser visitado pela comunidade subaquática.

A Madeira pretende realizar em breve mais dois afundamentos: o navio patrulha Cacine, que esteve vários anos ao serviço na região autónoma, e uma fragata, que Miguel Albuquerque não especificou. “Vamos iniciar os processos, e penso que dentro de um ano estarão concluídos”, explicou o chefe do executivo madeirense. Ambos os afundamentos vão decorrer na zona leste da ilha: Santa Cruz e Machico.