Os grandes incêndios de 2017 vão ser recordados na 24ª edição do CineEco
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Sete filmes sobre as questões ambientais que afectam a região da Serra da Estrela, com destaque para os dois grandes incêndios do ano passado, integram a competição Lusofonia: Panorama Regional da 24ª edição do CineEco, Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, que se realiza entre 13 e 20 de Outubro.

O evento vai assim lembrar as tragédias que tanto afectaram a região, principalmente o fogo de Outubro, que obrigou mesmo suspender temporariamente o festival. Esse que foi o segundo grande incêndio do ano é o mote de 15 Memórias do Fogo, de Rodrigo Oliveira e Tiago Cerveira, uma das obras seleccionadas. Cinzas ao vento, de Paulo Fajardo, recupera várias questões levantadas por essas catástrofes e E tudo o fogo levou, de Paulo Leitão, aborda o impacto da catástrofe em Oliveira do Hospital.

Ainda na competição regional, encontramos Hoje, aqui e agora, de Luís Antero e Tiago Cerveira, dois artistas que se têm dedicado a documentar o tempo, os sons e as imagens das Beiras; Sentir a Estrela, de Tony Correia, uma viagem a uma das mais emblemáticas serras do país; Sonho Perfeito, de Gabriel Ambrósio, num olhar sobre a água e a importância dos rios para as comunidades a eles ligadas ou Floresta Eterna, de Evgenia Emets, que reflete sobre assuntos como o desmantamento e a relação de Portugal com as suas florestas.

A edição deste ano vai abordar questões transversais a Portugal e aos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), como a monocultura do eucalipto, a desertificação, a destruição de paraísos naturais e a exploração insustentável de recursos.

A juntar às competições Internacionais, vários filmes vão abordar a forma como tratamos o ambiente e o impacto que isso tem no dia-a-dia de Portugal e dos países de língua oficial portuguesa.

Nas longas-metragens de língua oficial portuguesa destaca-se Deserto Verde, de Davide Mazzocco, um documentário que reflecte sobre os impactos da monocoltura dos eucaliptos, uma das principais causas do incêndio em Pedrógão Grande, em Junho do ano passado.

Da América Latina chega Construindo Pontes, de Heloisa Passos, que recupera as Sete Quedas, um paraíso natural no Brasil destruído no início dos anos 80 do século XX para construir a maior barragem hidroelétrica do mundo.

Nas curtas, o documentário A Aldeia Solitária, de Carlos Silveira, retrata vivências de uma vila e de uma aldeia numa região do nordeste de Portugal, abordando o tema da desertificação acelerada do interior.

Os incêndios voltam a ser lembrados em E o vento Ardeu, de Patrícia Matos, que resume o olhar de uma habitante local sobre o fogo que em Outubro de 2017 devastou mais de 190 mil hectares de floresta no centro e norte de Portugal.

A exploração insustentável de recursos, particularmente do mangal de Moçambique, é o fio-condutor de Macoconi – As Raízes dos Nossos Filhos, de Fábio Ribeiro.

Ainda de Portugal, o CineEco vai exibir a curta-metragem Alfaião, de André Almeida Rodrigues, que está a ter grande repercussão em vários festivais e que retrata o dia-a-dia de Alfaião, onde, “como em qualquer aldeia, há sempre muito calor apesar do frio e de a chuva cair de vez em quando”.

Mais de 80 filmes vão ser exibidos na 24ª edição do festival, que vai obrigar a reflectir sobre questões tão estruturantes como a necessidade de repensar a reflorestação, o impacto das grandes obras públicas nos recursos essenciais dos países, o isolamento das populações ou a poluição aquática, tentando alertar para a forma como o homem continua a viver à margem do ambiente.

O CineEco, organizado pelo município de Seia, é um dos festivais de cinema de ambiente mais antigos do mundo e membro fundador e da direcção da Green Film Network, uma plataforma de 40 festivais de cinema ambiental.

 

Notícia actualizada a 26 de Setembro de 2018