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Um homem e uma mulher entram em cena e aproximam-se um do outro, dispondo-se com cuidado e técnica numa pose romântica que dura todo o espectáculo. É assim a “Cinderela” dos tempos modernos, que chega ao Teatro Viriato, em Viseu, na próxima sexta-feira.
Em palco há uma estrutura circular cor-de-rosa, suspensa por cabos de aço. Os dois actores entram nesse círculo e esticam os cabos, mas depois sentam-se, abraçados e imóveis, até ao fim do espectáculo.
A peça de Lígia Soares é uma metáfora em torno dos contos de fadas que povoam o nosso imaginário, mas, ao contrário dessas histórias que ouvimos desde crianças e em que a acção conduz a uma mudança, aqui não se sai do mesmo sítio.
Os dois apaixonados conhecem-se demasiado bem, e isso constitui a premissa para extrapolar acerca de questões sociais e até políticas. A peça assume-se como “um diálogo sobre o amor romântico que, na resistência à mudança de posição, revela uma analogia à imobilidade social”, pode ler-se na apresentação de “Cinderela”.
“Vieste dizer que me amas e que vais ficar comigo?” e “dizer que te amo, mas não gosto de ti” são algumas das frases que os actores Cristina Alfaiate e Cláudio da Silva trocam logo no início do espectáculo. “Representam em palco uma Cinderela e um príncipe dos tempos modernos, um casal atingido por um conflito latente, decorrente das assimetrias dos seus estratos sociais”.
Os bilhetes para “Cinderela”, agendada para as 21:30, variam entre os 5 e os dez euros. A peça é uma co-produção do São Luiz Teatro Municipal, Teatro Municipal do Porto – Rivoli, Teatro Aveirense e Teatro Viriato.