Castelo de Montalegre. Fotografia: Tiago Canoso
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No limite do distrito de Vila Real, há uma vila onde o azar dá sorte. Montalegre contraria a crença de que as sextas feiras 13 são dias azarentos com celebrações que já ganharam aderentes além-fronteiras, e que têm lugar precisamente no seu castelo. Este é apenas um dos vários motivos pelos quais a terra assegura a sua fama de terra de folclore – ou não fosse a zona transmontana rica em superstições populares.

Montalegre distingue-se pelo seu castelo que remonta ao final do século XIII, altura em que a vila recebeu Carta de Foral e se tornou cabeça das chamadas Terras de Barroso, designação essa que a liga a Boticas e que perdura até hoje na linguagem das suas gentes. O castelo foi um elemento crucial na crise de 1383-85 e na Guerra da Restauração, quando o seu valor estratégico-defensivo foi essencial para a manutenção da raia. Não é à toa que está classificado como Monumento Nacional, e que serve de palco às muito aguardadas sextas feiras 13.

Pormenor do castelo de Montalegre. Fotografia: Tiago Canoso

Postais típicos

A vila de Montalegre tem em si o autêntico espírito transmontano, que bem se nota quer na sua paisagem, quer nas suas celebrações. Miguel Torga estava certo em chamar à região transmontana o “Reino Maravilhoso” no qual a vista alcança “um mar de perdas” até ao horizonte. A Aldeia da Ponteira é um exemplo típico disso, com as suas casas em granito empoleiradas nas rochas (a que habitualmente se chama ciclópicas penedias); é nela que se encontra a famosa a Pedra Bolideira, uma rocha que balança ao toque da mão, parecendo tão leve que até uma criança a pode fazer abanar.

E, se há pouco referimos o Dia do Azar, é mesmo porque as sextas feiras 13 em Montalegre são a melhor desculpa para celebrar o esoterismo num ambiente tão entusiasmante como tenebroso. 

Já desde 2002 que a vila organiza uma festa cheia de música e teatro em tons negros que reaviva as lendas obscuras de Trás os Montes. É no Castelo que ocorrem os espectáculos – dos quais o mais importante é a Queimada, o momento em que o Padre António Fontes prepara um elixir à base de aguardente, limão, maçã, canela e açúcar que “esconjura todos os males”.

Os visitantes, vestidos de duendes, fadas e demónios, agradecem o brinde, pois sabem que é Montalegre a terra mais mística…

Viaje connosco pela fronteira nacional na Revista Descla dedicada à Raia e ao Turismo Militar.