Desenho do castelo de Vimioso no 'Livro das Fortalezas, de Duarte d'Armas, do século XVI
Publicidade

Na terra fria, as temperaturas gélidas desafiam a coragem de quem por aqui passa, mas os verdadeiros audazes sabem como conquistar esta terra. A prova disso são os testamentos como o castelo de Algoso, em Vimioso, que ergue duma escarpa rochosa a mais de meio quilómetro de altitude. No Inverno, a neve cobre-o como um manto real. A sua data de construção é incerta, se bem que se crê que terá sido erguido durante a fase final do reinado de Afonso Henriques, quando Sancho I se encontrava próximo do exercício do poder régio.

As Inquirições de 1258 contam que este castelo foi mandado construir por Mendo Bonfino, o senhor da região, apoiante da causa portuguesa, que queria vigiar atentamente a fronteira com Leão. Mendo Bofino propôs a troca do castelo pelo senhorio de Vimioso a D. Sancho I, que terá aceitado dada a importância de reforçar a sua autoridade na periferia. Mendo Bofino havia defendido a luta de D. Afonso Henriques contra D. Teresa, e a oferta que propôs aconteceu na fase final do reinado deste, pelo que D. Sancho já se começava a afirmar como seu sucessor. Foi, portanto, uma troca natural e que permitiu a D. Sancho reforçar a vigilância de Vimioso.

Vestígios de um dos baluartes que ainda subsistiam em meados do século XX. Fotografia: Município de Vimioso

De Mendo Bonfino o castelo passou para os cavaleiros da Ordem de Hospital em 1224, com o objectivo de promover a defesa da fronteira, após um longo período de guerra com o reino de Leão. Estes Hospitalários transformaram-no numa fortaleza gótica. Mais tarde, a expansão de Trás-os-Montes passou por criar julgados e vilas novas de carácter urbano, relegando assim os castelos para segundo plano. De facto, o castelo de Algoso foi perdendo a sua importância até chegar ao completo abandono no século XVII; a sua última ocupação militar ocorreu no contexto da Guerra de Sucessão de Espanha.

 A serpente da traição

Há muito, muito tempo, a lenda conta que no castelo viviam um rei mouro com a sua filha. A jovem, ignorando as inimizades políticas, apaixonou-se por um fidalgo cristão, tanto que… traiu o pai e ajudou o amado a conquistar o castelo. Furioso, o pai fê-la reencarnar numa serpente, condenada a guardar o tesouro escondido numa parte subterrânea ligada a uma mina. Segundo o povo, a mina segue pelo monte da Penenciada adentro, e que em noites de S. João é possível ver a donzela, de cabelos soltos, a chorar, sentada sobre uma fonte.

Ao despertar da madrugada, aparece no seu lugar uma serpente gigante com uma cabeleira farta, que lentamente também dali se evade… Por isso, não há quem se atreva a entrar dentro da mina e a procurar o seu tesouro. A fonte é conhecida pelo nome de “Fonte de S. João Baptista” e o povo reconhece-lhe poder na cura de certos males.

Saiba mais sobre o turismo militar na Raia nacional na Descla deste mês.