Fortaleza de Arronches. Fotografia: C. M. Arronches
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Chegamos à “forte Arronches”, de que Camões fala n’0s Lusíadas. Esta foi, de facto, uma importante praça de armas durante muitos séculos. A vila pertenceu a cristãos e mouros, até ser definitivamente integrada no território nacional, em 1242. Sabe-se que o castelo já existia em 1310, ano em que foi restaurado por ordem de D. Dinis. As mais antigas construções são precisamente dessa época, com destaque para a maciça torre quadrangular. Os restantes troços de muralha datam do século XVII, quando se reconverteu a estrutura numa fortaleza abaluartada, adaptada ao fogo de artilharia.

Depois dos mouros vieram os castelhanos. Primeiro, na crise de sucessão de 1383-85, cabendo a D. Nuno Álvares Pereira expulsá-los. Depois, em 1661 Arronches foi invadida pelas tropas de D. João da Áustria, obrigadas a fugir à aproximação do exército português. Já no século XVIII, Nuestros hermanos voltaram à carga, cercando a vila, mas renderam-se logo à primeira investida nacional.

Fortaleza de Arronches. Fotografia: C. M. Arronches

Não foi só Camões a reconhecer a importância de Arronches. D. Afonso IV e D. João I concederam notórios privilégios à vila, e em 1475 D. Afonso V reuniu aqui as cortes para tratar do seu casamento com a princesa espanhola D. Joana. D. Pedro II, por seu lado, concedeu-lhe um “foral novíssimo”, algo raro no século XVII.

O concelho esteve sempre associado à pecuária e à agricultura, tendo como principais recursos o azeite, os cereais e os produtos hortícolas. Do subsolo extrai-se mármore rosa de excelente qualidade e bom barro para a indústria cerâmica.

E já que andamos pela vila, não custa nada dar um salto à freguesia de Esperança, mesmo ao lado, que tem alguns dos mais notáveis conjuntos de pintura rupestre existentes em Portugal. Dentro das grutas descobrimos pinturas com cerca de 3 mil anos, de tons vermelhos, que representam figuras humanas, animais, astrais e geométricas.

 

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