O castelo de Campo Maior. Fotografia: Município de Marvão
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Segundo a lenda, a povoação de Campo Maior foi fundada por três chefes de família que viviam dispersas no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Descobrindo um espaço aberto, um diz para os outros: “Aqui o campo é maior”. Esta vila pertenceu aos castelhanos até 1297, quando D. Dinis assinou o Tratado de Alcanizes e a “trouxe” para Portugal, juntamente com Ouguela e Olivença.

O rei mandou construir o castelo em 1310, à semelhança do que fez noutros pontos do país nesta época para defender as fronteiras. No entanto, a ligação a Castela não acabou ali: durante a revolução de 1383-85, a guarnição militar e os habitantes da vila colocaram-se ao lado do rei espanhol, obrigando D. João I e D. Nuno Álvares Pereira a irem ao Alentejo com os seus exércitos para cercarem a praça durante mais de um mês e meio e a ocuparem pela força, em fins de 1388.

Sente-se o aroma do café nas ruas brancas e limpas da vila. Campo Maior é conhecida pela excelência dos seus cafés, indústria que ocupa cerca de um terço da população activa e tem um peso de 70 por cento na economia local. Aqui fica o maior centro de torrefacção de Portugal e um dos maiores da Europa. O Centro de Ciência do Café dá a conhecer todo o processo de produção, do cultivo à torra, bem como alguns mitos, a história deste produto e a sua influência na literatura e nas artes.

Segundo a lenda, a vila de Campo Maior foi fundada por três chefes de família que viviam dispersas no campo e resolveram agrupar-se para uma maior protecção. Fotografia: Município de Marvão

A vila teve sempre um papel decisivo na protecção da fronteira, por isso em finais do século XV D. João II mandou ampliar a fortificação com um novo conjunto de muralhas que albergasse todo o perímetro urbano, o qual se havia expandido consideravelmente para fora da cerca medieval.

A defesa foi reforçada aquando das Guerras da Restauração, com a construção de uma fortaleza abaluartada. Em 1712, o exército espanhol cercou o castelo durante 36 dias, lançou toneladas de bombas e metralha e conseguiu abrir uma brecha num dos baluartes. Mas, ao pretender entrar por lá, sofreu pesadas baixas que o obrigaram a levantar o cerco.

Nada disso foi tão mau quanto a tragédia que aconteceu 20 anos depois: durante uma violenta trovoada, um raio atingiu o paiol que guardava 6000 arrobas de pólvora e 5000 munições, causando uma enorme explosão e um incêndio que matou cerca de dois terços da população. A Capela dos Ossos guarda os restos mortais das vítimas.

D. João V mandou reconstruir o castelo e a vila reergueu-se lentamente das cinzas para de novo ocupar um lugar cimeiro nos momentos de guerra. Em 1811, os franceses cercaram a vila por um mês e obrigaram-na a capitular, mas a resistência foi tal que deu tempo para chegarem os reforços luso-britânicos sob o comando de Beresford – as tropas napoleónicas retiraram-se e Campo Maior ganhou o título de “Vila Leal e Vitoriosa”.

 

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