Castelo de Mourão
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Reza a lenda que os primeiros habitantes de Mourão instalaram-se junto ao rio, de onde foram obrigados a fugir devido aos ataques de formigas, que chegavam a matar os recém-nascidos. É verdade que a primeira povoação, a chamada Vila Velha, era junto ao Guadiana, mas a falta de defesas terá ditado a mudança para um lugar mais elevado. Na Idade Média, esta terra pertenceu ora a Portugal ora a Castela, dada a indefinição de fronteiras entre os vários reinos surgidos após a reconquista cristã.

O castelo foi construído no século XIV, pouco antes de a vila ser posta à prova na crise de 1383-85. A praça de Mourão aderiu à causa do Mestre de Avis e sofreu devastadoras incursões castelhanas. A posição estratégica da vila justificou os mais de 2 mil reais que o rei D. Manuel gastou em restauros e remodelações, no século XVI. Os mais velhos contam que o rei D. Sebastião pernoitou aqui a caminho de Alcácer-Quibir, tendo assistido a uma tourada e pedido protecção à Senhora das Candeias. Os espanhóis voltariam a atacar a praça em diversas ocasiões, principalmente durante as Guerras da Restauração. O velho castelo foi então reforçado com uma dupla cintura de muralhas adaptadas ao tiro horizontal, com revelins pontiagudos, baluartes, fosso, alçapões e atalaias, dos quais sobram poucos vestígios.

A fortaleza impõe-se sobre a antiga vila medieval. Para lá dos muros contemplamos a infinita planície, os verdes campos, os olivais e as vinhas, a estepe cerealífera de São Leonardo, que se prolonga pelo país vizinho e, claro, o belo e imponente e belo Alqueva. Pensamos na aldeia da Luz, que foi submersa para se poder construir a barragem do Alqueva, em 2002. Sou da aldeia da Luz/A que vai ser alagada/Calhou-nos esta cruz/Mas que cruz tão pesada, escreveu o poeta popular João Chilrito Farias. Criou-se uma nova aldeia, mas a população nunca se habituou a ela, mais moderna, com novas casas e ruas mais largas, mas também por isso sem a identidade da antiga. Há gente que ainda não é dona do próprio quintal, devido a problemas no registo de propriedade, e as promessas de construir uma marina e uma praia fluvial não passaram disso mesmo.

Junto à antiga aldeia fica o Castelo de Lousa, construído pelos romanos entre os séculos II e I a.C., igualmente submerso. Aquando da construção da barragem, envolveu-se a fortaleza, totalmente em xisto, com sacos de areia, cobertos com uma camada especial de cimento, de modo a evitar o desgaste provocado pela água.

 

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