As muralhas de Serpa. Fotografia: C.M. Serpa
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Com o seu aqueduto e muralhas, parece intransponível. Assim é Serpa, a vila bejense à qual os romanos emprestaram a sua grandiosidade, e à qual os mouros deram a sua primeira fortificação. Em 1166, foi conquistada por D. Afonso Henriques, mas não definitivamente: Serpa foi perdida e ganha um número sofrível de vezes. Se há terra portuguesa que muito sofreu com conflitos bélicos, essa terra foi Serpa…

Por isso, foi ordenada em 1295 uma remodelação dos panos de muralha em grande escala por D. Dinis. D. Manuel, antigo senhor da zona, quando subiu ao trono português, concedeu Carta de Foral a Serpa. Aquando da crise de 1383-1385 que pôs o país em alvoroço por causa da sucessão ao trono, a vila pôs-se do lado do Mestre de Avis, servindo assim como base de operações para as tropas portuguesas que se aventuravam no território castelhano.

A muralha e o aqueduto. Fotografia: C.M. Serpa

Cansada e desanimada pelos constantes conflitos que assolavam Serpa, a população pediu a D. Afonso V nas Cortes de 1455 que concedesse aos futuros moradores o privilégio da isenção de serviços militares e municipais. Durante a Crise de sucessão de 1580, Serpa e seu castelo caíram diante das tropas espanholas comandadas Sancho d’Ávila.

Em meados do século XVII, no decurso da Guerra da Restauração, foi concebido um projecto da autoria de Nicolau de Langres destinado a reforçar os limites da fortificação ao modo de baluarte. Foi nesta altura que se ergueu o Forte de S. Pedro. Ironicamente, foi precisamente na sequência da Guerra da restauração que as muralhas foram arruinadas: estava-se em 1701 quando o Duque de Ossuna atacou a vila. Como se não bastasse, a muralha e as torres ruíram no século XIX – ficaram de tal modo fragilizadas que, até hoje, estão sujeitas a desmoronamentos.

Aqueduto para uma família só
O aqueduto. Fotografia: C.M. Serpa
Em Serpa há um aqueduto de características únicas: ele foi criado não para servir uma comunidade, mas sim para atender às necessidades de consumo do Solar dos Condes de Ficalho. Erguido no século XVII a pedido de D. Francisco Melo, alcaide-mor de Serpa, possui ainda a particularidade de ter dezanove arcos que assentam directamente na muralha do Castelo, criando assim uma construção arquitectónica invulgar. Servia para receber 16 mil litros de água, que eram despejados a mais de 10 metros de altura. Mais do que um capricho daquela que era uma das famílias mais poderosas do Alentejo, é uma construção incomum em todo o país.

 

Vamos agora para uma antiga capital islâmica…