Judite Canha Fernandes
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Judite Canha Fernandes é a vencedora da 11ª edição do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís com o romance Um Passo para Sul, anunciou o Casino Estoril, que promove o galardão.

O júri, presidido por Guilherme d’Oliveira Martins, elegeu por maioria um livro sobre o amor e a violência terrível exercida sobra as mulheres. “Se o final deste romance sugere um futuro de esperança e luminosidade, não faz esquecer a contundência psicológica que o estrutura e que a todos nos agride no seu alcance humano e social mais profundo”, revela a organização.

O romance é fundado num triângulo geográfico e existencial, repartido por Cabo Verde, São Tomé e Açores, cujos “registos linguísticos e imaginativos do crioulo inscrevem-se criativamente na estrutura global da narrativa, contribuindo para a formatação de uma linguagem literária muito estimulante”.

A autora escreveu o livro no âmbito de uma bolsa de lusofonia que ganhou e que lhe permitiu voltar a Cabo Verde, país onde já tinha vivido e onde se passa parte da história. “É o meu primeiro romance. Que seja uma boa história, é o que desejo. Poder escrevê-lo foi maravilhoso”, confessa Judite Canha Fernandes.

A escritora nasceu no Funchal em 1971 e aos oito anos foi viver para Ponta Delgada, onde cresceu. A carreira na literatura é relativamente curta, pois só em 2015 se dedicou por completo à escrita.

“Era uma decisão adiada desde a infância, que tive a coragem de tomar nesse momento por um equilíbrio de circunstâncias pessoais e de vontade. Digo desde a infância porque desde que comecei a ler, não só comecei a ler muito, em todos os bocadinhos que tinha,como soube que queria “aquilo”. Queria fazer “aquilo” que os livros me proporcionavam”, revela.

O início desse processo passou por reabrir dez anos de cadernos, “voltar a ler o que fora escrevendo e tentar compreender o que eventualmente tivesse forma de livro”. As primeiras coisas que surgiram foram poesia, “que de algum modo é uma linguagem literária que me surge mais naturalmente”, admite.

Um dos primeiros livros que escreveu nesse período foi caderno de música, que não chegou a publicar, até que a ficção foi chegando progressivamente. “Sentia que era uma área de experimentação que queria muito desenvolver e que há na ficção, para mim, um processo mais consciente, mas estruturado, do que na poesia”.

Judite Canha Fernandes tinha já alguns esboços de contos e começou a trabalhar o primeiro,o conto muito curto, estendendo progressivamente essa dimensão para “estruturas mais complexas”.

A nova vencedora do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís é também performer, feminista, bibliotecária, activista e investigadora, sendo doutorada em Ciência da Informação, licenciada em Ciências do Meio Aquático, pós-graduada em Ciências Documentais, Biblioteca e Arquivo.

A autora foi representante da Europa no Comité Internacional da Marcha Mundial das Mulheres entre 2010 e 2016 e deu conferências e palestras um pouco por todo o mundo nas temáticas relativas a género e feminismos.