Simão e Teresa: de Viseu ao Porto a amar a lutar e a morrer

Camilo Castelo Branco, nome maior do romantismo português, escreveu um livro inspirado em factos reais. Amor de Perdição é uma história parecida com a de Romeu e Julieta, e passa-se sobretudo em Viseu, Coimbra e Porto

Sé de Viseu | Fotografia: Tiago Canoso
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Dificilmente a vida de um escritor encaixará tão bem num livro seu como acontece com Camilo Castelo Branco em Amor de Perdição. O nome maior do romantismo português teve uma existência cheia de amores e desamores, sucessos e fracassos, alegrias e tristezas. A vida e a morte andam quase sempre de mão dada nestas coisas, e não foi diferente com Camilo e a sua obra-prima.

A história inspira-se, de resto, em factos reais. O protagonista masculino, Simão Botelho, tem o mesmo nome de um tio do escritor que também esteve preso na Cadeia da Relação, no Porto, edifício histórico da cidade invicta que recentemente foi reclassificado como monumento nacional. Também lá esteve encarcerado Camilo, por ter cometido adultério, acabando absolvido pelo juiz José Maria de Almeida Teixeira de Queiroz, pai de Eça de Queiroz.

Torre dos Clérigos | Fotografia: Tiago Canoso

Simão é um dos heróis mais célebres do romantismo literário português. Estudante em Coimbra, foi em Viseu, de onde era natural, que se apaixonou por Teresa de Albuquerque, filha de um inimigo do seu pai.

Da janela do quarto, Simão via a sua amada, até que o pai desta descobriu o romance e imediatamente tratou de lhe arranjar noivo, um sobrinho, Baltazar Coutinho, natural de Castro Daire.

Teresa recusou-o, e por isso foi castigada, enviada para o convento de Viseu, depois para o de Monchique, no Porto, hoje ao abandono – há um projecto para o transformar em hotel.

De lá trocava correspondência com Simão, que nas ruas de Viseu se envolveu numa disputa verbal com Baltazar e acabou por lhe dar um tiro de morte.

O herói de Camilo confessou tudo e, abandonado pelo pai, homem de influência, foi condenado à forca e mais tarde a dez anos de degredo na Índia.

O rio Douro, de onde Simão Botelho partiu para o desterro | Fotografia: Lino Ramos

Enquanto esteve preso Simão despertou a paixão de outra rapariga, Mariana, que tratou dele e até lhe levou uma carta para Teresa. Na hora da partida, já no navio, Simão viu o vulto de Teresa por entre as grades da janela do convento, pouco antes de esta morrer. O herói leu a última carta da amada e pereceu também, sendo lançado ao mar. Mariana, que o acompanhava a bordo, atirou-se de seguida.

 

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