Gaia: Fanny Owen tinha dois amores, um deles era Camilo Castelo Branco

Camilo Castelo Branco e um amigo apaixonam-se pela mesma rapariga. O escritor é uma das personagens do romance Fanny Owen, feito de ciúmes e amores secretos e cuja acção decorre em duas localidades de Vila Nova de Gaia

Caves Sandeman, Gaia
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O coronel escocês Hugo Owen vivia em Miramar com a sua esposa, D. Maria Rita, e as duas filhas, Fanny e Maria Rita. Corria o ano de 1849 quando José Augusto e o seu amigo Camilo Castelo Branco, famoso escritor, passaram a cavalo em frente da casa da família, onde puderam observar as duas irmãs.

Depois de alguns encontros em bailes, José Augusto ficou apaixonado por elas. Um ano depois foi mesmo viver para uma localidade próxima, Vilar do Paraíso, visitando as raparigas em sua casa, chamada de “Vila Alice”. Camilo seguiu os passos do amigo e também ele alugou uma moradia nessa terra, não só para estar perto de José Augusto mas também porque já sentia algo pelas donzelas, que visitava frequentemente.

As Caves Ferreira, em Gaia l Fotografia: Lino Ramos

José Augusto ficou noivo de Maria Rita, mas o seu coração começava a pender mais para Fanny, o que também aconteceu com o escritor, que começou a corresponder-se com a jovem. José Augusto reagiu violentamente, ameaçou o escritor, que quase de imediato voltou para a cidade do Porto.

Aos 22 anos Fanny deixou de resistir à obsessão de José Augusto, mas a relação era mal vista pela família, o que levou o casal a fugir de noite com destino à Quinta de Soeime. Instalou-se o caos em casa dos Owen. Falou-se que iam marchar tropas para a Quinta do Lodeiro, por onde os amantes haviam passado.

José Augusto e Fanny acabaram mesmo por casar, mas a história de amor durou pouco tempo: vieram a lume cartas que Fanny havia trocado com um espanhol, Fuentes, quando já era cortejada pelo futuro marido. O ciúme deste terminou na morte de ambos, em 1854. Camilo foi apontado como o responsável pelo infortúnio, pois terá sido ele a divulgar a correspondência.

O romance de Agustina Bessa-Luís chegou ao cinema pela mão de Manoel de Oliveira, no filme Francisca, de 1981.

 

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