Festival Literário Tinto no Branco recebeu mais de 5.500 visitantes

O vereador da Cultura do município de Viseu, Jorge Sobrado, diz que o festival já alcançou dimensão internacional e que reforçar essa posição

Mia Couto esteve no Festival Literário de Viseu “Tinto no Branco”
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O Festival Literário de Viseu – Tinto no Branco, que decorreu entre 7 e 9 de Dezembro, recebeu nesta edição mais de 5.500 participantes, anunciou o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Viseu, Jorge Sobrado, sublinhando que o evento está a “consolidar-se” junto dos amantes dos livros e do vinho.

Os números representam um aumento de cerca de 500 pessoas face a 2017 e correspondem às expectativas da organização, que esperava entre cinco e os seis mil participantes, revela o autarca.

A 4ª edição do Tinto no Branco atraiu visitantes de diversos pontos do país e também do estrangeiro, para o que muito terá contribuído a presença de convidados internacionais, como os escritores Mia Couto, Joanne Harris e Olivier Rolin, e isso “marca uma viragem” no festival, segundo Jorge Sobrado.

“Uma viragem no sentido de uma dimensão mais internacional, o festival adquiriu um pulmão internacional, uma pele e uma alma de vocação internacional, incorpora autores da lusofonia, autores da literatura europeia muito consagrados, como foi o caso de Oliver Rolin e Joanne Harris e é hoje de forma definitiva uma referência incontornável dos festivais de literatura em Portugal”, destaca o vereador.

O cineasta António-Pedro Vasconcelos, o cantor Pedro Abrunhosa, o poeta Daniel Jonas e o encenador Ricardo Pais foram outras figuras que passaram pelo evento, que decorreu, como habitualmente, no Solar do Vinho do Dão, e incluiu provas de vinho e de gastronomia regional, conversas de literatura, oficinas de escrita criativa, teatro, concertos, exposições e diversas actividades infantis.

Jorge Sobrado considera que o Tinto no Branco é o maior festival de literatura do interior do país, o mais distintivo e aquele que tem um carácter mais marcado por esta relação entre literatura, vinhos e património imaterial, reunindo, a partir de agora, “todas as condições para amadurecer e reforçar esta sua internacionalização, quer do ponto de vista dos autores, mas também dos públicos”.

Mia Couto, a grande figura desta edição, diz que é preciso acabar com a ideia de que há cidades que estão mais no centro. “Há cidades que estão na periferia e, portanto, estes eventos culturais podem transformar uma cidade que se pensava, há um tempo atrás, ser periférica, da província, numa verdadeira capital de cultura de Portugal e, se calhar, da língua portuguesa. E essas capitais serão várias, mas Viseu, certamente, será uma”, destaca.

Cooperação com Cabo Verde

A pensar na internacionalização, o município consolidou a geminação com Cabo Verde e a sua Festa do Livro “Morabeza”, que prevê um intercâmbio de escritores dos dois países em cada festival, além de parcerias noutras áreas culturais, como a arte urbana e a música. Em Viseu esteve o ministro da Cultura e Indústria Criativas de Cabo Verde, Abrãao Vicente, e o poeta Filinto Elísio, que substituiu à última hora o compatriota Germano de Almeida, que cancelou a presença por questões de saúde.

O intercâmbio entre vinhos de Cabo Verde e da região de Viseu é outro dos objectivos do acordo. Abraão Vicente, que foi entronizado simbolicamente na Confraria do Dão, prometeu que os próximos festivais de Viseu vão ter vinho do Fogo, que é feito em Chã das Caldeiras, nas cinzas da cratera do vulcão que continua activo.

“A nossa ideia é fazer com que os vinhos do Dão tenham uma presença mais efectiva, com vinhos de qualidade, porque muitas vezes, nós sabemos, chegam a Cabo Verde vinhos que não são inteiramente produzidos e não têm denominação de origem e fazer com que os produtores do vinho do Fogo tenham um contacto com os produtores do vinho do Dão, e possam trocar parcerias e, quem sabe, criar novos produtos”, revelou.

O governante cabo-verdiano adiantou ainda que convidou o presidente da Câmara de Viseu, Almeida Henriques, a ir a Cabo Verde, pois o país africano quer perceber como é que uma cidade do interior está a conseguir atrair investimentos e ter “esta dinâmica cultural”. “Viseu tem sido uma espécie de laboratório para inovações, tecnologias e tem atraído grandes empresas, principalmente na parte de investigação, dos laboratórios, e também na área da saúde”, elogiou.

Almeida Henriques confessou à agência Lusa que “é com muito gosto” que vai marcar presença em Junho, em Cabo Verde, para “partilhar a estratégia definida pela autarquia. “É uma estratégia de não estarmos à espera que o poder central faça por nós, fazemos nós, é evidente que continuamos a reivindicar do poder central as autoestradas, ferrovia e outras valências mas a verdade é que se estivéssemos à espera do poder central não saíamos da cepa torta”, apontou.