Guerra ao plástico chega ao palco e até marionetas são feitas com lixo da praia

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O grupo de teatro Krisálida propõe-se a fazer uma ‘guerrilha antiplástico’ utilizando o palco e a plateia, de crianças e adultos, para alertar para a poluição marítima provocada pelo lixo plástico e, para isso, até as marionetas a utilizar serão feitas de plástico apanhado nas praias do Alto Minho.

O projeto OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS está a ser desenvolvido pelo grupo de teatro, com sede em Caminha, que, com pouco mais de quatro anos de actividade acaba de receber um apoio da Direcção-Geral das Artes para ‘utilizar’ o palco para abordar um dos maiores problemas da humanidade.

“Hoje, está por todo o lado! Por todo o lado, mesmo! O plástico é um dos maiores problemas da humanidade”, explica a companhia, que pretende alertar para as consequências deste material, que há cerca de 100 anos começou a mudar a vida de todos.

Para Carla Magalhães, directora artística da Krisálida, este é um papel social que a companhia não pretende descartar: “É um problema que já está a afectar as nossas vidas. Utilizar o teatro como ferramenta de trabalho para despoletar o pensamento crítico e o debate de problemáticas sociais sempre foi objectivo da Krisálida nas suas criações”.

Ao longo de 2019, ao abrigo do projecto OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS, a companhia vai levar à cena dois espectáculos teatrais, um para crianças e outro para adultos, que vão abordar, em palco, o problema do plástico e a ameaça que representa, ao não ser biodegradável, para a vida como a conhecemos.

“Recorrendo a uma parceria estabelecida com a Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, teremos o apoio na componente científica do tema”, explica ainda a directora da Krisálida.

O espectáculo para a infância, que recorrerá à linguagem da Arte da Marioneta, será criado em residência artística com direcção plástica e encenação do grupo Teatro e Marionetas Mandrágora. As marionetas do espectáculo serão construídas com plásticos recolhidos na costa litoral norte, território onde a Krisálida atua.

Numa segunda residência artística será desenvolvido o espectáculo para adultos, com o encenador Graeme Pulleyn, encenador britânico convidado da Krisálida para esta abordagem e que em Portugal já trabalhou também como actor e director artístico em dezenas de projectos.

Paralelamente, a companha vai realizar um conjunto de actividades que visam promover boas práticas aplicáveis à conservação do ecossistema marinho. Para atingir esses objectivos estão previstas diferentes iniciativas de sensibilização com e para a comunidade escolar e o público em geral, através do pacote educacional denominado “Eu sei! Eu Sinto! Eu Atuo!”

“Sentimos a necessidade crescente de fazer alguma coisa. O lixo marinho é um problema social sobre o qual a sociedade deve ter consciência para que possa tornar-se parte da solução”, explica Carla Magalhães. Este pacote educacional pretende informar e sensibilizar, desde logo, professores e alunos, além da população em geral, para agirem no combate ao lixo na costa, organizando para tal debates após as peças de teatro, concursos de vídeo, produção de objectos artísticos e exposições.

“Tudo a partir de plástico. Pretende-se que este pacote de medidas sirva para tornar este projeto ‘viral’, no sentido em que todos podem contribuir para uma mudança das suas atitudes e criarem os seus próprios desafios ambientais, transformando este projecto numa verdadeira guerrilha antiplástico!”, sustenta a directora.

A Krisálida, Associação Cultural do Alto Minho é uma companhia profissional de teatro com sede em Caminha, Viana do Castelo, criada em Outubro de 2014 cujo principal objectivo consiste na captação de públicos, assente numa estreita relação com as comunidades locais procurando descentralizar e democratizar o acesso ao teatro a todos. Para isso, cria espectáculos de teatro que possam chegar a espaços não convencionais e ser apresentados nos mais diversos locais, com qualidade estética e artística e que falam sobre assuntos que nos parecem importantes e pertinentes e que nos movem como cidadãos e artistas.

A Krisálida cria ainda espectáculos com um cariz pedagógico que pretende circular pelas escolas do distrito, desenvolve oficinas de teatro para crianças, jovens e adultos e promove uma mostra regular de teatro de marionetas, a MALUGA – Festa da Marioneta Luso Galaica. Através de um protocolo de colaboração cultural com o município de Caminha, desde 2015, o primeiro de actividade, as produções têm sido apoiadas por importantes instituições como a Fundação GDA ou a Direcção Regional de Cultura do Norte. Para o ano 2019, a companhia conta com o financiamento da DGartes/Ministério da Cultura para o desenvolvimento do projecto OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS.

Desafio PLASTIKUS às escolas, desde o pré escolar ao ensino superior:


RECIKLARTE – Objectos artísticos criados a partir de plástico
PRODUTO: Nesta modalidade o objectivo é dar uma nova finalidade a materiais que seriam descartados, unindo a reciclagem com a arte. Cada equipa (turma) deverá criar 3 a 5 produtos, utilizando idealmente o lixo recolhido nas praias, trazido de casa ou então produzidos na própria escola para criar objectos úteis ou decorativos, decorar um muro da escola, criar mobiliário, esculturas ou obras de arte.
PÚBLICO-ALVO: As equipas deverão ser formadas por uma turma (até 30 pessoas, incluindo alunos, professores e supervisores) do ensino básico, secundário ou superior.
ESPECIFICIDADES: Não há limite de tamanho para os objectos produzidos (mínimo ou máximo). O material predominante dos objectos deve ser de plástico descartado (garrafas, tampas, embalagens, pacotes, copos, etc.), mas é permitido a utilização de outros materiais na criação dos mesmos, incluindo metais, fios, tintas, etc.

KARTAZES
PRODUTO: Cada equipa participante deverá criar um cartaz de sensibilização sobre o problema do plástico no oceano, utilizando idealmente como material o lixo (plástico) recolhido nas praias ou então produzidos na própria escola ou na casa dos alunos. A mensagem pode ser transmitida por meio de frases (lemas), pinturas, colagens ou outras intervenções artísticas. Podem também ser usadas fotografias e impressões.
PÚBLICO-ALVO: As equipas deverão ser formadas por uma turma (até 30 pessoas, incluindo alunos, professores e supervisores) do ensino básico, secundário ou superior.

FOTOREPORTAGEM
PRODUTO: Esta modalidade é dirigida a alunos que podem concorrer individualmente ou em grupos de até 3, com o objectivo de desenvolver uma reportagem fotográfica de até 10 fotografias sobre a temática da Poluição do Oceano, em particular, por plástico. A equipa participante deverá mostrar o seu olhar sobre o tema, devendo o conjunto de fotografias ilustrar de forma original e criativa o problema do lixo nas nossas praias, possíveis acções para a resolução do problema (e.g. ações de limpeza de praias), actividades desenvolvidas no âmbito do projecto OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS, ou intervenções artísticas (e.g. instalações realizadas com lixo na praia ou montagens fotográficas) que apontem para a necessidade de mudança de comportamentos. As fotos podem ser tiradas por câmaras fotográficas próprias ou da escola, ou smartphones com boa resolução.
PÚBLICO-ALVO: Cada equipa poderá ser formada por 1 a 3 alunos. Cada aluno só pode participar numa equipa, mas podem participar mais do que uma equipa por turma do ensino secundário ou superior. ESPECIFICIDADES: – As fotografias deverão ter uma resolução mínima de 2100 x 1500 pixéis (3,2 MP). As fotografias poderão ser a cores ou a preto e branco; – As fotografias devem ser produzidas em Portugal; – As candidaturas estão limitadas a fotografias originais da autoria dos membros da equipa; – As fotografias não devem incluir molduras, assinaturas, datas ou outros dados na imagem. No entanto, são permitidos alguns ajustes digitais, como por exemplo de brilho, saturação, contraste ou nitidez, bem como a manipulação digital artística, incluindo a montagem de mais de uma imagem.

VÍDEO
PRODUTO: Esta modalidade é dirigida a alunos que podem concorrer individualmente ou em grupos de até 3, com o objectivo de desenvolver um pequeno filme editado que não passe os 3 minutos, sobre a temática da Poluição do Oceano, em particular por plástico. A equipa participante deverá mostrar o seu olhar sobre o tema, devendo o filme reportar, informar, documentar, alertar, de forma original e criativa o problema do lixo nas nossas praias, possíveis acções para a resolução do problema (e.g. acções de limpeza de praias), actividades desenvolvidas no âmbito do projecto OPER(A)ÇÃO PLASTIKUS, ou intervenções artísticas (e.g. instalações realizadas com lixo na praia ou montagens fotográficas) que apontem para a necessidade de mudança de comportamentos ou outras intervenções (e.g. um VOXPOP sobre o tema e onde se possa perceber um ponto de vista dos produtores do filme; uma ficção sobre a temática, onde se inclui a animação; uma entrevista ou um conjunto de entrevistas com pessoas de interesse) que possam acrescentar uma nova visão ou alertas à temática.
PÚBLICO ALVO: Cada equipa poderá ser formada por 1 a 3 alunos. Cada aluno só pode participar numa equipa, mas podem participar mais do que uma equipa por turma do ensino secundário ou superior.

ESPECIFICIDADES: Os filmes não podem exceder 3 minutos (incluindo genérico inicial e final); deverão ter um título e o nome e função da equipa; os temas musicais incluídos no filme devem obedecer à lei da Creative Commons ou ser de autoria própria (temas musicais com direitos de autor não serão aceites); os ficheiros deverão ser em mp4 com resoluções destinadas ao Youtube e/ou Facebook.

ENTREGA E PRAZOS
Cada turma deve indicar à Krisálida o que se propõe fazer até ao dia 1 de Fevereiro de 2019, através do link Uma mesma turma poderá inscrever-se em diferentes modalidades/desafios, desde que respeite o número máximo de participantes. Todas as equipas deverão ser sempre supervisionadas por um professor/educador.
Todos os trabalhos terão de estar concluídos até ao dia 5 de Abril de 2019. A Krisálida fará posteriormente uma recolha dos trabalhos para integrarem uma exposição itinerante.