Amares cria Prémio Literário para evocar Francisco Sá de Miranda

CONCURSO COM PRÉMIO PECUNIÁRIO DE 7.500 EUROS

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A Câmara Municipal de Amares apresentou hoje, Dia Mundial da Poesia, o Prémio Literário Francisco de Sá de Miranda. Uma homenagem ao escritor português, que também dá nome à Biblioteca Municipal de Amares, e que renderá ao vencedor o prémio pecuniário de 7.500 euros.

Com uma periodicidade bienal, o Prémio Literário Francisco Sá de Miranda tem como missão incentivar a criatividade literária e o gosto pela criação na modalidade de poesia, para além de homenagear uma grande figura das Letras, responsável pela introdução no nosso país do verso decassílabo. Destinado a autores lusófonos com obras publicadas na modalidade de poesia, o prémio terá o valor pecuniário de 7.500 euros.

O regulamento está disponível no website do Município e as candidaturas deverão ser entregues até ao dia 23 de Abril.

Na apresentação do Prémio, o presidente da Câmara Municipal de Amares, Manuel Moreira, realçou que a atribuição do nome de Francisco de Sá de Miranda “é um reconhecimento justo por este grande escritor que escolheu Amares para viver” e que este é também uma aposta cultural do Município, que considera a Cultura “um pilar de enriquecimento e afirmação do território”.

Sérgio Guimarães de Sousa, presidente do júri do concurso, frisou que “no contexto da literatura nacional, Francisco Sá de Miranda foi das figuras maiores da literatura nacional”. Além de Sergio Sousa, o júri será composto por uma professora da Universidade de Aveiro e um representante do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Amares.

Algumas notas

Francisco de Sá de Miranda nasceu em Coimbra, possivelmente em 1487. Estudou Gramática, Retórica e Humanidades na Escola de Santa Cruz e frequentou depois a Universidade, ao tempo estabelecida em Lisboa, onde fez o curso de Leis, alcançando o grau de doutor em Direito. Nesta universidade foi professor considerado e frequentador da Corte até 1521, onde compôs cantigas, vilancetes e esparsas, ao gosto dos poetas do século XV. O Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, impresso em 1516, publica treze poesias do Doutor Francisco de Sá de Miranda.

Entre 1521 e 1526 ou 1527, Sá de Miranda viaja pela Itália e lá conhece o ambiente literário do Renascimento, do qual absorve as linhas principais. Ao assimilar as ideias italianas do Renascimento, torna-se o pioneiro a utilizar as formas clássicas, iniciando o Renascimento em Portugal. Sá de Miranda é assim o introdutor no nosso país do verso decassílabo.

Foi casado com D.ª Briolanja de Azevedo, filha de Francisco Machado, 2.º Senhor das Terras de Entre Homem e Cávado (Amares) até ao ano da sua morte em 1558. Sá de Miranda e sua esposa D.ª Briolanja de Azevedo adquiriram uma propriedade em 1530, que, anexando terrenos, se veio a transformar na Quinta da Tapada, sita na freguesia de Fiscal em Amares, de cuja Casa Sá de Miranda foi 1.º Senhor até à sua morte. Encontra-se hoje sepultado na Igreja de Carrazedo – Amares.