Caminhos em Volta (conduzem-nos) pelo território vimaranense como ainda não o vimos

Quatro visitas para (re)pensar e (re)conhecer o território de Guimarães programadas para 15 de Junho, 20 de Julho, 21 de Setembro e 12 de Outubro

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A Casa da Memória de Guimarães (CDMG), em parceria com a Talkie-Walkie e com o apoio do Pelouro do Turismo da Câmara Municipal de Guimarães, programou, para o ano de 2019, quatro visitas ao território intituladas Caminhos em Volta. Pela sua própria linguagem hipertextual e apresentação de referências fora do seu espaço museológico, a CDMG configura-se como o instigador ideal para uma série de percursos pelo concelho de Guimarães. A proposta é a de chamar os investigadores da CDMG e outros especialistas para orientar os visitantes sob quatro temas: São Torcato: o cultivo e o cultoMargináliaAs árvores nos objectos de memória e A indústria e as suas operárias, possibilitando a abertura de novos caminhos intra e extra muros. Caminhar em volta é, sobretudo, termos a noção do nosso lugar no mundo. (Re)conhecê-lo, pensá-lo e cuidá-lo são apenas os primeiros passos de um trajecto imensurável.

A Casa da Memória de Guimarães vai para lá das suas portas e convida a percorrer os caminhos que dela saem em direcção a vários pontos de Guimarães. Este sábado (15 Junho), na primeira sessão de Caminhos em Volta, os visitantes são desafiados a rumar ao noroeste do concelho, com passagem pelo Campo da Ataca onde alguma tradição e historiografia localizam a Batalha de S. Mamede, antes da chegada à vila de São Torcato, para conhecer os seus mosteiro e santuário e ainda o lugar da Corredoura. O ponto de partida para este percurso – São Torcato: o cultivo e o culto –, orientado por Francisco Brito, Paulo Novais, Raul Pereira e Rui Faria, é uma investigação sobre a romaria a São Torcato, que é apresentada por esta ocasião, mais concretamente na segunda-feira seguinte (17 Junho) na CDMG.

Uma outra investigação, desta feita sobre as tabernas, salões de jogo e outros locais de prazer e ócio na cidade de Guimarães, na Penha e em Caldas das Taipas, motiva, no próximo dia 12 de Julho, o segundo destes percursos. Marginália, com Samuel Silva e Paulo Dumas, aponta para o lado menos canónico do espaço público vimaranense e o caminho a percorrer vai também permitir olhar para um outro lado dos locais mais densamente povoados na cidade durante o século XX, do Centro Histórico à rua D. João I, passando pelo bairro de Couros e pelas imediações do Castelo.

Os próximos Caminhos em Volta são conduzidos por Manuel Miranda Fernandes no dia 21 de Setembro, com o tema As árvores nos objectos de memória. Há sempre muito que dizer sobre as árvores: são elas marcadores de paisagem, produtoras de matérias-primas, elementos simbólicos, eventualmente mesmo lugares; e, sobretudo, são seres vivos fascinantes com vidas que podem em muito exceder a nossa sem sair de um único sítio. Este percurso leva-nos, por isso, ao antigo Couto de Ronfe, onde, para além de uma árvore fascinante, podemos seguir o percurso de outras através da história de duas quintas e dos processos de transformação da terra que as rodeia. Este é um percurso pela paisagem verde, cultivada, intervencionada e pela seiva da memória, que termina num museu inesperado.

A 12 de Outubro, é Paula Nogueira a orientar a viagem dos Caminhos em Volta sob o mote A indústria e as suas operárias. A industrialização do Vale do Ave teve o seu primeiro grande momento a partir do último quartel do século XIX, provocando grandes alterações socioeconómicas numa região onde predominavam sobretudo as oficinas de base familiar e proto-indústrias detentoras de um vasto conhecimento de séculos que permitiu a adaptação às novas formas de fabrico mecanizado. A abertura de fábricas na linha do rio, expandida com a chegada da locomotiva, operou mudanças significativas no núcleo familiar de incontáveis famílias do concelho de Guimarães. No seio destas famílias, estavam agora mulheres que eram não só mães e garantes da gestão doméstica, mas também operárias assalariadas. Uma visita que defronta uma realidade perante a qual várias questões se levantam. Que mudanças provocaram esta alteração de paradigma? Quem eram elas? Que vidas de sofrimento e de trabalho viviam? Que histórias nos contarão essas figuras anónimas, que se veem às portas das fábricas, aos milhares, nas velhas fotografias a preto e branco da viragem dos séculos XIX e XX?

Cada sessão dos Caminhos em Volta tem início às 15h00 e ponto de partida no Posto de Turismo da Praça de S. Tiago. A participação tem o custo de 3,00 euros ou 2,00 euros com desconto, sendo gratuita para crianças até 12 anos. Recorda-se ainda que, na CDMG, é também possível realizar Visitas Orientadas e Oficinas Criativas ao longo de todo o ano, sujeitas a marcação com, pelo menos, uma semana de antecedência, através de telefone 253424700 ou e-mail mediacaocultural@aoficina.pt. A CDMG encontra-se aberta de terça a domingo, das 10h00 às 13h00 e das 14h00 às 19h00. Aos domingos de manhã, a entrada é gratuita. A programação pode ser consultada em www.casadamemoria.pt.

PROGRAMA DAS VISITAS

Sábado 15 Junho, 15h00
São Torcato: o cultivo e o culto
Com Francisco Brito, Paulo Novais, Raul Pereira e Rui Faria

Segunda 17 Junho, 19h00
Apresentação da investigação
Romaria a São Torcato 

Sábado 20 Julho, 15h00
Marginália
Com Samuel Silva e Paulo Dumas

Sábado 21 Setembro, 15h00
As árvores nos objectos de memória
Com Manuel Miranda Fernandes

Sábado 12 Outubro, 15h00
A indústria e as suas operárias
Com Paula Nogueira