A Farmácia que chegou ao Museu

Um espaço que continua a investir no comércio de proximidade, a Farmácia Barreto, fundada em 1876, mantém os traços e as histórias da Lisboa dos séculos XIX e XX. Um espaço icónico da Rua do Loreto, no Chiado.

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Especula-se que o espaço hoje ocupado pela Farmácia Barreto tenha sido, no século XVIII, uma botica. O nome atual é uma homenagem a Carlos Garcia Barreto, fundador da Sociedade Farmacêutica Lusitana, em 1834. A história do estabelecimento é marcada por uma aposta na inovação: pela alçada do tenente-coronel e farmacêutico Manuel Joaquim de Oliveira, o espaço desenvolveu um laboratório farmacêutico, liderado por Costa Simões, em funcionamento até aos anos 60.

Durante o Estado Novo, a farmácia recebeu conspiradores e uma prensa, ainda hoje preservada, onde se imprimia propaganda antissalazarista. O espólio e algumas das memórias desta casa estão em exposição no Museu da Farmácia, com destaque para a faiança, rótulos e uma mesa de manipulação.

José Pedro Graça da Silva é proprietário do estabelecimento desde 1986. A manutenção da identidade histórica e decorativa é uma das prioridades, passando, desde logo, pelo seu património móvel. No interior é possível encontrar material antigo, bem como a disposição arquitetónica de outrora, nomeadamente a sala da estufa, a “sala de quarentena”, a sala de manipulação, a sala do “segredo” – onde era produzida a fórmula – e a casa-forte do álcool. De balanças a frascos e rótulos, passando pela antiga máquina-registadora, a Farmácia Barreto convida os clientes a viajar pela história da arte farmacêutica e por outros tempos do comércio lisboeta.

Na próxima semana… os enxovais do Príncipe Real, que conquistam, desde 1943, celebridades e famílias reais.