Flaminio Bertoni, o escultor de mitos automóveis

Flaminio Bertoni, o escultor de mitos automóveis

Nascido em 1903 na cidade de Varese, em Itália, Flaminio Bertoni foi um escultor e arquitecto italiano de um conjunto de modelos automóvel icónicos da marca Citroën, ao longo do século XX.

Apaixonado pela escultura, Bertoni ingressou como aprendiz na Carrozzeria Macchi, em Verese, aos 15 anos de idade, aquando a morte do seu pai. Aqui, deu os primeiros passos na carpintaria e logo depois na chapa, onde se começou a familiarizar com o material. Em simultâneo, e sem se esquecer da sua paixão pela arte, matriculou-se na Escola de Belas Artes, onde apresentou o modelo de um automóvel futurista, que não teve qualquer futuro.

Em 1931, conheceu Giovanna, com quem fugiu para Paris para escapar às represálias da família a essa relação. Foi aí, que acompanhado dos seus projectos, se apresentou a André Citroën, que o contratou de imediato. Ocupou o cargo de Responsável de Design da Marca, até à data da sua morte, em 1964.

Ao longo de três décadas, ao lado de André Lefebvre, projetou alguns dos modelos mais emblemáticos da marca: Citroën Traction Avant, Citroën 2 CV e Citroën DS. O objetivo da dupla era desenvolver e lançar um veículo económico, confortável e inovador, o que até à data as inovações tecnológicas não permitiam.

O trabalho de Bertoni acabaria por ser reconhecido ao longo dos tempos. Primeiro, por Roland Barthes, escritor francês que lhe dedicou um capítulo, na sua obra “Mitologias” publicado em 1957. Mais tarde, e já depois da sua morte (1999), um painel de jurados, reunidos em Londres, elegeu o Citroën DS como o “Melhor Objecto de Design Mundial do século XX”.