Amarante: a cidade que não quer ser esquecida

Há muito tempo que a cidade de Amarante, no distrito do Porto, procura um grande nível de desenvolvimento e de actividade, não só para o conforto dos habitantes, mas também em prol do grande turismo. A cidade tem vindo a crescer e, cada vez mais, deseja tornar-se uma referência, principalmente, em Portugal

Ponte de São Gonçalo, Amarante. Fotografia: Dália Magalhães
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Por Dália Magalhães

Atravessada pelo rio Tâmega, Amarante passou, outrora, por momentos históricos marcantes, como as invasões francesas, mas conseguiu recuperar da destruição causada e é, hoje, um pólo influente na zona. Contudo, a importância da cidade limita-se um pouco à região norte, porque a nível nacional ou internacional ainda é um pouco escassa.

Na verdade, a cidade amarantina distingue-se pelo património cultural e natural e
pelo intenso fluxo turístico. Assim, as ruas amarantinas têm ganho cada vez mais
visitantes, uma vez que a cidade, pertencente ao distrito do Porto, tem lutado para se
tornar um local de maior interesse e tem-se fomentado em diversas áreas.

Para ajudar a promover e a dinamizar a região, a autarquia de Amarante criou uma
estrutura de planeamento estratégico, a “InvestAmarante”, que tem como objectivo
impulsionar novos investimentos privados e promover as áreas do empreendedorismo,
turismo e região. Tal como disse o presidente da câmara municipal, José Luís Gaspar, ao
Porto Canal, “Nós queremos dar a conhecer Amarante […] uma terra que para além da
beleza, tem qualidade de vida, que pode oferecer a todos os que cá vêm”. A estrutura,
apresentada oficialmente a 30 de setembro de 2016, já apoiou mais de 60 empresas.

Um dos investimentos da “InvestAmarante” foi o projecto de Carlos Gonçalves,
um jovem de 23 anos. “Em 72 dias desenvolvi a ideia e o próprio protótipo. Foi tudo
muito rápido…”, afirmou Carlos ao jornal “Verdadeiro olhar”, após vencer uma das
categorias do concurso “Tâmega e Sousa Empreendedor”. O conceito “Walkest – Walk
by Forest” consiste no fabrico inteiramente artesanal de um par de botas, no qual a cada
par de botas vendidas são plantadas duas árvores. “O objectivo é fazer uma bota o mais
ecológica possível”, garantiu o jovem.

O projeto é apoiado pela “Quercus”, “GreenCork”, “Floresta Comum” e
“Município de Amarante” e é sustentado pela Indiegogo, uma plataforma internacional
de “crowdfunding” (financiamento colaborativo).

Vista sobre o rio Tâmega. Fotografia: Dália Magalhães

Para além de Carlos, também António Sousa investiu num projecto que chama a atenção para a cidade banhada pelo Tâmega. Desta vez, o famoso vinho verde da região foi o
alvo das atenções.

António, licenciado em Enologia, na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, já participou em formações de viticultura e enologia e em diversas provações de vinho, no país e no estrangeiro. Assim, surgiu o projecto UVVA, um evento que pretende promover o tradicional vinho verde. Nos eventos, podem-se degustar os melhores vinhos verdes da região e, ainda, conversar e partilhar ideias com os enólogos convidados. “Não pensamos crescer tão rapidamente, mas, felizmente, está a correr bem”, expressou António, em entrevista ao Porto Canal.

Amarante não é só uma cidade de negócios. Para além do trabalho, apresenta
inúmeros pontos turísticos que envolvem a cidade de beleza. Desde as igrejas seculares à
famosa gastronomia, a cidade acabou por ganhar determinado renome, na medida em que
as atividades de que dispõe estimulam protagonismo.

As atividades de que Amarante é palco, anualmente, começaram, há algum tempo,
a chamar a atenção do exterior do país, visto que é um centro acolhedor e agradável. A
cidade é capaz de consagrar festas tradicionais e pequenos festivais de verão, como a
“Feira à moda antiga”, “Festas do Junho”, “HáFest”, “Modar.te” e o festival de origem
brasileira “MIMO”. No caso do “MIMO Festival”, é um evento que se realiza em cidades
histórico-culturais e, em 2016, escolheu Amarante para palco da primeira edição
internacional.

Foi também este interesse cultural regional que motivou Francisca Fonseca a
reconstruir um hotel no coração da cidade.

“Des Arts – Hostel & Suites”, mais conhecido popularmente como “Hostel des
Arts”, é uma unidade hoteleira que resulta da reconstrução do primeiro hotel amarantino.

Francisca, sobrinha-bisneta de Teixeira de Pascoaes, mudou-se para Amarante com o
marido e os irmãos, com o objectivo de recuperar o antigo Grand Hotel Silva: “Fiquei entusiasmada, mas também estupefacta” – revelou à revista Sábado.

Francisca afirmou que Amarante é uma cidade de grandes nomes na cultura portuguesa e admitiu, em entrevista ao Porto Canal, que é uma cidade que tem muito para fazer e explorar: “tem um património muito rico, cultural, natural e histórico”.

Também um projecto apoiado pelo “InvestAmarante”, o “Des Arts – Hostel & Suites” está decorado de forma a conhecer e relembrar, de imediato, o trabalho dos artistas
amarantinos, em especial. Por exemplo, no exterior, o jardim é em forma de guitarra,
instrumento que Amadeo de Souza-Cardoso demonstrou em vários quadros. O pintor,
que era amigo de Teixeira de Pascoaes, é, portanto, um dos homenageados do edifício.

Des Arts ‐Hostel & Suites. Fotografia: Dália Magalhães

Mas Amarante não capta apenas pela oportunidade de negócio. Adelina Teixeira Pinto, educadora de infância no Porto, admitiu que construiu casa em Amarante, porque
não quer perder as raízes e quer continuar a conservar as tradições ancestrais,
“valorizando, assim, o património cultural local”.

Adelina recordou, ainda, grandes nomes da cultura amarantina, como o político António Cândido e a escritora Agustina Bessa-Luís. “Amarante é uma terra naturalmente rica em termos culturais”, assegurou satisfeita. Mas não é só uma cidade que deu vida a grandes nomes da cultura portuguesa, tal como disse Adelina, seria indispensável mais infraestruturas físicas, para apostar em iniciativas que cativem os jovens a esta cidade. No entanto, para Adelina, a cidade tem muito encanto: “É uma cidade particularmente bonita e que cativa turistas de todo o mundo.

Mosteiro de São Gonçalo, Amarante. Fotografia: Dália Magalhães

Amarante ainda existe e a gente amarantina ainda luta pela notoriedade. Com a
renovação e as ideias dinamizadoras que são impulsionadas na cidade, pouco a pouco,
Amarante vai-se reerguendo. “Precisamos de estar cá todos a trabalhar em prol do
desenvolvimento da nossa terra”, declarou José Luís Gaspar, este ano, durante a
campanha eleitoral.

O presidente da câmara municipal disse, também, que acredita em Amarante
enquanto uma terra fantástica e de investimento: “Sei que Amarante, daqui por alguns
anos, vai ser uma referência no nosso país”.

Apesar de não elevar o prestígio de Amarante directamente, a inovação e o
reconhecimento de projectos amarantinos a nível turístico-cultural conseguem colocar o
nome da cidade num lugar de destaque. Seja a nível nacional ou internacional, o sucesso
das novas ideias e das novas concepções convidam mais pessoas a apreciar e a visitar a
cidade e, assim, a valorizar o que de melhor Amarante tem.

 

Reportagem no âmbito do concurso reportagem Descla / FNAC Viseu 2017