“Os Belos Dias de Aranjuez” estreia hoje em Portugal

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Peça escrita por Peter Handke sobe ao palco do CCB pela mão do encenador Tiago Guedes
“E de novo um verão. De novo um belo dia de Verão. Um jardim. Um terraço. Uma mulher e um homem debaixo de árvores que não se veem, só se ouvem, com um suave vento de verão que, de vez em quando, marca o ritmo da cena. Uma mesa de jardim muito grande, vazia, entre a mulher e o homem”. Assim escreve Peter Handke na peça “Os Belos Dias de Aranjuez”, que estreia em Portugal esta quarta-feira.

O espetáculo, integrado na programação do Estoril Film Festival, está marcado para as 21:00 horas no Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém e vai contar com a presença do autor. A encenação é de Tiago Guedes, que aceitou o convite do produtor Paulo Branco, diretor do festival.

Os “Belos Dias de Aranjuez”, peça escrita por Peter Handke em francês durante o verão de 2011, é um diálogo sobre o amor. Uma mulher e um homem, na beleza de um fim de tarde de verão, falam de amor, da primeira vez, num jardim. O homem faz perguntas, de acordo com regras que parecem ter sido estabelecidas antecipadamente, como num jogo. Às recordações de amor misturam-se recordações de viagem e descrições do mundo que os rodeia, que testemunham uma atenção excecional aos sinais da natureza, quase impercetíveis, e que são indissociáveis dos mistérios que o homem e a mulher procuram decifrar.

“Ao trabalhar este texto com os atores e equipa, quis explorar uma ideia de fragilidade. Não só a que existe em cada um de nós, mas principalmente a fragilidade que surge das relações. É tudo sempre tão vulnerável. O entendimento do Outro está sempre sujeito a tantas variantes, tantas interpretações, erros, falhas e perceções erradas. Por maior que seja o nosso esforço e vontade, o ponto de vista é sempre e apenas o nosso”, refere o encenador.

Para Tiago Guedes, “é comovente perceber como se cometem os mesmos erros vezes sem fim, sempre com a esperança de que o desenlace seja diferente. Mas a verdade é que a vida é esta luta, esta busca de comunhão, esta procura de convergência, mesmo que esporádica, entre dois seres”.

Em palco vão estar Isabel Abreu e João Pedro Vaz. “Está muito trabalho feito nesta peça e são dois excelentes atores”, acrescentou o encenador, que realçou o facto de apresentar a peça na presença do autor.

Peter Handke é apresentado pelo festival como “um dos maiores autores da literatura contemporânea, que se revelou também no ensaio, na prosa de reflexão e na poesia”. O dramaturgo fez parte do júri do festival em 2009.

Com uma obra literária que se desenvolveu desde o início entre a ficção, a narrativa e o teatro, o austríaco é um dos maiores autores da literatura contemporânea, que se revelou também no ensaio, na prosa de reflexão e na poesia. Muitos dos títulos que o tornaram célebre foram traduzidos em português, entre eles, “A Angústia do Guarda-Redes Antes do Penalty”, “Uma Breve Carta para um Longo Adeus”, “Para uma Abordagem da Fadiga”, “O Chinês da Dor”, “Numa Noite Escura Saí da Minha Casa Silenciosa”, ou “Poema à Duração”. No cinema, para além de uma extensa e profícua colaboração com Wim Wenders, destaca-se a realização dos filmes “A Ausência e A Mulher Canhota”.