À mesa com o Mondego

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Num pais tão rico como o nosso a nível gastronómico é imperativo conhecer as suas iguarias e especialidades ao longo de cada roteiro ou passeio que façamos por este Portugal fora.

O Queijo da Serra da Estrela

O Mondego nasce ténue em pleno parque natural da Serra da Estrela, quando ouvimos o nome desta serra, não só a neve e as suas paisagens surgem no pensamento, como o cheiro forte dos seus queijos típicos e enchidos nos invade de imediato.

O queijo da Serra da Estrela é um produto com denominação de origem protegida, composto por uma pasta mole e amanteigada com coloração branca amarelada, este existe também em pasta dura e com cor avermelhada na sua variação de queijo da serra da estrela velho.

Introduzido em Portugal pelos Romanos, é o mais antigo queijo português.  A primeira queijaria inteiramente dedicada à sua produção foi criada pelo Rei D. Dinis em Celorico da Beira, no distante ano de 1287.

Com um sabor característico, esta iguaria serrana é facilmente encontrada em Celorico da Beira, Seia, Manteigas, Gouveia, assim como na maioria das aldeias circundantes à Serra da Estrela. É bastante comum existirem negócios típicos onde, para além de ser vendido, o queijo da serra é dado a provar ao cliente sem qualquer custo. Ideal para acompanhar uma refeição, servir como entrada ou, se assim o entendermos, só porque nos apetece.

Bom queijo liga a bom vinho…

Situada entre o Mondego e o seu afluente rio Dão, temos a região de Nelas, sobejamente conhecida pela sua ligação ao vinho.

Neste município está sediado o centro de estudos vitivinícolas é também aqui que ocorre a Feira do Vinho do Dão. Encorpado e aveludado, assim se apresenta o tinto, já o branco é tido como suave, fresco e de aroma frutado. Tem características do Dão, que foi o segundo vinho a ter uma origem demarcada em Portugal, a qual data de 1908. Nelas torna-se, assim, local de paragem ao longo deste percurso para todos aqueles que não dispensam um bom vinho.

E o prato principal?

A chanfana é um prato tradicional de origem popular, forte em temperos e sempre confeccionada com um bom vinho tinto. Este prato consiste em carne de cabra ou ovelha velha, cozinhada nas típicas caçoilas de barro preto. Vila Nova de Poiares criou recentemente a Confraria da Chanfana e assume-se como um dos locais ideais para apreciar esta iguaria, que foi considerada uma das sete maravilhas gastronómicas de Portugal.

Em Penacova pesca-se no Mondego o ingrediente principal deste prato, a lampreia. Uma receita com sabor forte e muito próprio, pois o peixe vai a marinar com vinho e sangue que, posteriormente, são também utilizados para cozer o arroz. A enorme adesão ao evento Festival da Lampreia de Penacova, realizado habitualmente em Fevereiro, atesta a qualidade desta iguaria.

Hora de um docinho?

A chamada zona do baixo Mondego é fértil em doçaria conventual e regional, ainda por terras de Penacova, temos os pasteis do Lorvão com origem no Mosteiro de Santa Maria do Lorvão, estes doces conventuais, eram tradicionalmente oferecidos pelas monjas aos visitantes e hospedes. Caracterizam-se pela sua textura doce e húmida, muito semelhante às queijadas e são confeccionados à base de gemas de ovo e amêndoas.

A vila de Tentúgal, pertencente ao concelho de Montemor-o-Velho, brinda os visitantes com os seus famosos pasteis, outrora chamados “pasteis do convento”. Acredita-se que a sua origem se deva a uma freira carmelita, que em finais do século XVI decidiu fazer uns pasteis de massa fina e doce de ovos, para oferecer às crianças durante a época natalícia. Só após as reformas levadas a cabo em 1834, que puseram fim às congregações religiosas, é que os pasteis começaram a ser produzidos fora do Convento das Carmelitas.

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