Mais de 80 escritores vão passar pelo Correntes d’Escritas

Eduardo Lourenço, Inês Pedrosa, Ricardo Araújo Pereira e Pedro Mexia são alguns dos nomes que vão passar pelo festival, entre 23 e 27 de fevereiro. O certame inclui exposições, cinema, poesia, cinema, um concerto comentado e uma Feira do Livro

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Mais de 80 escritores de expressão ibérica participam, entre amanhã e sábado, no Correntes d’Escritas, “o maior festival literário do país” nas palavras da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, que organiza o certame. Nomes consagrados como José Tolentino Mendonça, Eduardo Lourenço, Hélia Correia, Inês Pedrosa ou Pedro Mexia juntam-se aos de Onésimo Teotónio de Almeida, Ivo Machado, Manuel Rui, Vergílio Alberto Vieira, Carlos Quiroga ou José Carlos de Vasconcelos, que acompanham o Correntes desde tenra idade ou mesmo desde o seu nascimento, em 2000.

O Cine-Teatro Garrett é, pelo segundo ano consecutivo, o ponto nevrálgico deste Encontro, mas a organização pretende alargá-lo a cidade e ao concelho. “Criamos mais um espaço de estar na zona urbana com uma tenda que vai albergar a Feira do Livro e fará a ligação ao Garrett”, revela o vice-presidente e vereador da Cultura da autarquia, Luís Diamantino. A exposição Rostos, de Helder de Carvalho, vai estender-se a toda a cidade, sobretudo ao centro histórico e comercial, “para fazer com que as pessoas se desloquem e procurem a exposição nas montras das lojas”.

O festival inclui ainda as “Leituras sobre Rodas” BMCar, em que os visitantes são convidados, através de um miniautocarro, a participarem numa visita cultural pelo concelho, viajando com poesia e com conhecimento do que é a Póvoa de Varzim”. E, no dia 23, as três vozes transeuntes vão andar pelas ruas da poesia a anunciar o Correntes com leituras poéticas pela cidade.

No mesmo dia, mas na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, vão ser lançados dois livros: o Dicionário de Eça de Queiroz, 3ª edição ilustrada, revista e ampliada, organizada e coordenada por A. Campo Matos, IN-CM com a presença do autor e apresentação de Isabel Pires de Lima, às 17:00 horas, e Não há tantos homens ricos como mulheres bonitas que os mereçam, de Helena Vasconcelos, às 18:00. Durante o evento vão ser apresentados mais de uma dezena de livros, alguns projetos e uma antologia.

A Sessão Oficial de Abertura está marcada para 24 de fevereiro, no Casino da Póvoa, e vai contar com a presença do Ministro da Cultura, João Soares. Na cerimónia vão ser anunciados os vencedores dos Prémios Literários 2015 (Casino da Póvoa; Correntes d’Escritas Papelaria Locus; Conto Infantil Ilustrado Correntes d’Escritas Porto Editora e Fundação Dr. Luís Rainha Correntes d’Escritas). A sessão inclui ainda o lançamento da Revista Correntes d’Escritas 15, com dossier dedicado a António Lobo Antunes.

Já no Cine-Teatro Garrett, às 15:00 horas, José Tolentino Mendonça vai proferir a Conferência de Abertura, que o vice-presidente da Câmara antevê como um momento “singular”. “José Tolentino Mendonça é um escrutinador da sociedade atual. Ele procura, no seu estudo da sociedade, dar respostas, abrir caminhos, filosofar e fazer refletir, que é algo que fazemos muito pouco, cada vez menos”, destaca Luís Diamantino.

Uma escolha “cada vez mais difícil”

O vereador da Cultura reconhece que “é muito complicado para a organização ter que selecionar tanta gente boa, tantos bons escritores como nós temos. É difícil porque cada vez há mais gente a querer vir ao Correntes d’Escritas”. O festival vai contar com mais de 80 escritores de 11 países, com destaque para Porto Rico, que pela primeira vez participa no encontro através da escritora Mayra Santos-Febres.

Durante quatro dias, de 24 a 27 de fevereiro, a sala principal do Garrett vai acolher 11 Mesas. Uma delas, no dia 24,, às 22:00 horas, vai reunir um leque de convidados bastante mediático em Portugal: Carlos Vaz Marques, João Miguel Tavares, Pedro Mexia e Ricardo Araújo Pereira. O conhecido “Governo Sombra” foi desafiado pela organização para debater, na Póvoa de Varzim, o tema “Não me interpretem mal”.

“Em média, 10.000 pessoas passaram pelo 16º Correntes d’Escritas. Durante as Mesas, há pessoas sentadas no chão, nos corredores, nas escadas, por todo o lado… A sala de atos estava cheia com pessoas a assistirem à emissão das mesas nos ecrãs”, explica Luís Diamantino.

“Sentimos que há um crescendo enorme de participantes no evento porque o público do Correntes d’Escritas também participa com os escritores, faz perguntas e está em contacto direto com os convidados. Não há estrelas no Correntes d’Escritas” e é isto que faz com que já exista a ‘família Correntes’, revela o autarca.

Luís Diamantino destaca o aumento do público mais novo, jovens que há 17 anos tinham 14/15 anos e receberam escritores na sua escola, agora, também estão aqui. É sinal que o evento lhes despertou o interesse pela literatura, pela leitura, pelo livro…”.

O Correntes d’Escritas, que vai já na 17ª edição, não se resume à literatura, apostando também na música (concerto comentado com António Victorino d’Almeida e Miguel Leite), fotografia (exposição fotográfica O Mundo de Lobo Antunes, de Ana Carvalho), apresentação de fotografias de Daniel Mordzinski e estúdio de luz natural de Alfredo Cunha, escultura (exposição de Helder de Carvalho) e cinema, com o filme O Quarteirão de Jorge Vaz Gomes a partir da coleção O Bairro de Gonçalo M. Tavares e A Morte de Carlos Gardel, de Solveig Nordlund, baseada na obra homónima de António Lobo Antunes.