Prémio de Leonor Teles “homenageia o cinema português”

O Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, elogia a criatividade da jovem realizadora e deseja-lhe sucesso, pois este significa também "a afirmação de Portugal"

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O Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa, felicitou este domingo a realizadora Leonor Teles e considerou a obtenção do Urso de Ouro para melhor curta-metragem, no Berlinale – Festival de Cinema de Berlim, uma “homenagem ao cinema português” e à “criatividade e empenho” da realizadora”.

“O ‘Urso de Ouro’ atribuído a Leonor Teles e ao seu filme ‘Balada de um batráquio’ no Festival de Cinema de Berlim representa uma dupla homenagem. Desde logo ao cinema português e à criatividade e empenho de uma jovem realizadora que, ao longo de dois anos, muito lutou para conseguir produzir a obra num contexto muito difícil”, refere a nota enviada por Marcelo Rebelo de Sousa à agência Lusa.

O novo Presidente da República deseja que Leonor Teles “continue a sua carreira de sucesso”, considerando que este significa, também, “a afirmação de Portugal”. Marcelo sublinhou ainda que o prémio é “o reconhecimento de uma causa: a luta contra a xenofobia e a batalha pela sã convivência entre culturas diferentes que se conhecem e nem sempre se ligam”.

A curta-metragem retrata o fenómeno dos sapos de cerâmica em estabelecimentos comerciais para afastar membros da etnia cigana, expondo comportamentos xenófobos em relação aos mesmos. A realizadora, de 24 anos, é filha de pai cigano, embora nunca tenha vivido no seio dessa comunidade. No filme, Leonor Teles parte dos sapos, levando a um plano literal a máxima do cinema de intervenção.

Balada de um Batráquio é o segundo filme da cineasta, que em 2012 rodou Rhoma Acans, também focado na comunidade cigana em Portugal e que lhe valeu o prémio Take One, no Curtas Vila do Conde, em 2013.

A 66.ª edição da Berlinale, que terminou ontem, contou com oito filmes de produção portuguesa – a maior presença de sempre do cinema nacional -, três dos quais na competição oficial, incluindo a longa-metragem Cartas de guerra, de Ivo Ferreira, inspirada na correspondência de António Lobo Antunes.

Um feito que o antigo secretário de Estado da Cultura Jorge Barreto Xavier atribuiu ao trabalho do anterior governo. Leonor Teles reage incrédula a tal explicação. “Claro, é a correr e a saltar que foi pelo Governo anterior que pusemos oito filmes em Berlim… Isso é bastante ridículo, uma tentativa de politizar o cinema. O nosso filme é o oposto disso! A invasão portuguesa no festival serve para mostrar que o nosso cinema está vivo e ainda tem cartas para dar”, sublinhou a realizadora em declarações ao Diário de Notícias,.