Portugueses no Holocausto em destaque no Festival T

“O judeu que guardou portugueses no Quarto de Van Gogh” é a peça de abertura do 10º Festival de Teatro de Albufeira, que se realiza entre 17 e 22 de março

O ator Raphael protagoniza a peça “O judeu que guardou portugueses no Quarto de Van Gogh”
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Os quase 300 portugueses vítimas do Holocausto vão estar em destaque na 10ª edição do Festival T – Festival de Teatro de Albufeira, que se realiza entre 17 e 22 de março.

“O judeu que guardou portugueses no Quarto de Van Gogh” é a peça de abertura, no dia 17, às 21:30. O espetáculo da CTC – Companhia de Teatro Contemporâneo sublinha o valor do humano em tempo de guerra e como a neutralidade, neste contexto, é um conceito vão.

A peça, que repete no dia 21 à mesma hora, resulta de uma investigação em torno do tema a cargo de Luísa Monteiro, que assina o texto e a encenação de um espetáculo protagonizado pelo ator Raphael.

A Câmara Municipal de Albufeira, um dos organizadores do festival, destaca a pertinência do espetáculo “num momento em que os fluxos migratórios, assim como a eclosão de refugiados sírios se encontram na ordem do dia” e lembra um dos portugueses vítimas do Holocausto, Tomás Vieira, que, sendo de Albufeira, tinha uma “cabeça perigosa”, na opinião dos nazis.

Holocausto, censura, surrealismo, comédia, encontros, desencontros e pontos de vista distintos sobre a tradicional Branca de Neve prometem fazer do Auditório uma referência cultural por altura das Comemorações do Dia Mundial do Teatro.

Outro destaque do Festival T é a homenagem ao compositor e pianista francês Erik Satie, quando se assinalam os 150 anos do seu nascimento. “O Barão Medusa”, também da companhia CTC, vai subir ao placo com o único texto propriamente dramático escrito por Satie, no domingo, dia 20, às 17:00 (repete no dia 2 às 21:30). Trata-se de uma comédia lírica, surrealista, para o qual foi convidado o “prodigioso grupo das moscas invisíveis”.

No dia 18, às 21:30, vai ser exibido “I can’t breath”, de Elmano Sancho, espetáculo que desmistifica ideias em torno da profissão de ator e que junta Elmano Sancho e Ana Monte-Real, atriz de filmes pornográficos. No dia seguinte, à mesma hora, “O Homúnculo”, texto de Natália Correia apreendido em 1965 pela PIDE, regressa ao palco pelo Teatro Estúdio Fontenova e às mãos dos leitores. Para 20 de março, às 11:00, está marcado “Branca”, um espctáculo destinado aos mais novos, mas assumidamente feito por adultos, onde confluem diversas dramaturgias em torno da tradicional Branca de Neve.

A par da programação, o fotógrafo Rui Gregório vai assinar uma instalação baseada em Fotografia de Cena e que poderá ser vista ao longo de todo o Festival, no foyer do Auditório. O Festival T é organizado pelo CTC e pelo município de Albufeira, e decorre no Auditório Municipal, com entrada livre.