Congresso de arquitectura e política junta em Coimbra cientistas de 40 países

De 4 a 7 de Outubro, o IASTE vai abordar "o modo como a arquitectura e o urbanismo são reflexo e produzem uma diversidade de posições políticas"

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O israelita Eyal Weizman, que utiliza a “arquitectura forense” para investigar violações de direitos humanos, e a norte-americana Mabel Wilson, estudiosa da relação entre racismo e arquitectura nos Estados Unidos, são alguns dos especialistas que vão participar no congresso bienal da International Association for the Study of Traditional Environments (IASTE), que vai decorrer entre 4 e 7 de Outubro no Convento São Francisco, em Coimbra.

A IASTE é uma associação científica fundada na Universidade da Califórnia, em 1988, e é o principal fórum global para investigadores interessados em arquitectura e urbanismo fora da Europa Ocidental e da América do Norte.

O congresso deste ano é dedicado ao tema “A política na tradição” e vai juntar investigadores de 40 países. Os Estados Unidos são o mais representado, com 73 congressistas, seguindo-se Portugal, com 46, China (23), Reino Unido (15), Brasil (13), e Austrália (12). O evento conta ainda com a presença da Directora de Criatividade da UNESCO, Jyoti Hosagrahar, que vai falar dos desafios da vivência do património urbano.

Um dos destaques do programa é a mesa mesa-redonda, no final da tarde de 6 de Outubro, com os investigadores Mark Jarzombek, do MIT (Massachusetts Institute of Technology), e Vikram Pakrash, da Universidade de Washington, dedicada ao tema “Are We Ready for the Global Yet?”

Ao longo dos quatro dias estão previstas 44 sessões paralelas com mais de 220 comunicações. O congresso encerra com um balanço do 30º aniversário da IASTE pelo director local do congresso e professor da Universidade de Coimbra, Jorge Figueira, e o coordenador local do congresso, o investigador do CES Tiago Castela.

“Num tempo de conflitos, muitas vezes sangrentos, onde o significado e as práticas da participação política tem ganho crescente relevância, o congresso irá reflectir sobre o modo como a arquitectura e o urbanismo são reflexo e produzem uma diversidade de posições políticas, frequentemente utilizando imaginários da tradição”, adiantam os dois investigadores portugueses.

Este grande evento chega a Portugal depois do congresso inaugural da EAHN (European Architectural History Network) em Guimarães, em 2010, e do colóquio mundial de arquitectos do Docomomo Comité Internacional para Documentação e Conservação de Edifícios, Locais e Bairros do Movimento Moderno), em Lisboa, em 2016.

O IASTE 2018 é organizado pelo Departamento de Arquitectura (DARQ) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e pelo Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra.