Biblioteca Municipal de Lagoa acolhe conferência

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O 25 de Abril foi uma revolução, naturalmente, mas uma revolução portuguesa, isto é, foi a consequência lógica dos últimos 15 anos da ditadura salazarista (1926-74), marcados por mudanças socioeconómicas estruturais (industrialização, terciarização, urbanização) e pela Guerra Colonial (1961-74) que propiciaram, em conjunto, a repolitização geral da sociedade.

A Revolução que o 25 de Abril criou um modelo de democratização por rutura que se diferencia claramente de outros processos que lhe foram contemporâneos, e alguns posteriores, todos caracterizados por serem processos acordados entre segmentos das oposições democráticas com as elites dos regimes ditatoriais a que se procurava pôr fim. Em 1974-76, em Portugal, houve não apenas uma rutura política, mas também o derrube/substituição de elites políticas, económicas e sociais, e um processo de rutura económica marcada por mudanças fundamentais na estrutura da propriedade, num ambiente marcado pela hegemonia ideológica de uma cultura emancipatória, antiautoritária, antifascista, de reivindicação aberta de valores socialistas que acabaram por se inscrever no texto da Constituição.

O processo democratizador português de 1974-76 caracteriza-se por uma dupla legitimidade: uma de natureza militar revolucionária (sobretudo pelo papel dos movimentos sociais e do próprio MFA, que acabou por se transformar em movimento sociopolítico com um papel institucional naturalmente central) e eleitoral. A democracia portuguesa tem, portanto, uma origem revolucionária cuja natureza foi amplamente confirmada em eleições democráticas e por ter conseguido, apesar de todas as divisões que perpassavam a sociedade portuguesa, por um muito amplo consenso constitucional e para constitucional (por exemplo, a legislação económica e social do período revolucionário), agrupando as esquerdas radicais, os comunistas, os socialistas e a direita moderada que se fazia representar no PPD.