Começar 2020 numa distopia de Joana Bértholo. Esta noite grita-se

Publicidade

O ano de 2020 arranca em ambientes distópicos, com Corpo/Arena de Joana Bértholo, para escutarmos de 17 a 19 de Janeiro. Depois, o festim Esta noite grita-se continua até maio, com cinco textos e ainda mais actores. Tinha de se fazer o máximo com o mínimo, e assim foi.

Como criar o máximo com o mínimo

A 4ª temporada do Esta noite grita-se funcionará em regime de low-budget – após 3 temporadas de crescente sucesso, a edição de 2020 não obteve o necessário financiamento público. Mas o Festim não irá parar – manteremos a sua essência, levando ao público muitos textos que achamos maravilhosos. Fizemos poupanças, cortámos nas despesas não essenciais e baixámos honorários de toda a equipa artística. Manteremos a qualidade ao custo do esforço de todos. Sim, estamos certos de que este não pode ser o caminho. Mas não sabemos como fazer para não caminhar.

Joana Bértholo, com um consolidado percurso enquanto autora literária, optou recentemente por arriscar no campo da escrita teatral. Com este Corpo/Arena traz-nos um tríptico passado em ambientes distópicos nos quais reconhecemos muitas das preocupações que ocupam o pensamento contemporâneo. Bértholo usa aqui o teatro para nos apresentar a ideia do corpo enquanto lugar fronteira da relação nunca fácil com o nosso contexto e com o nosso futuro. E as personagens que introduz são inesperadas: três gordos que não se conseguindo deslocar, aguardam ansiosamente a entrega da próxima dose de comida, um homem que desde que perdeu o pai nunca mais conseguiu dormir, e três velhos que se degladiam pela melhor posição frente a uma ventoinha, enquanto discutem a pertinência de se manterem vivos. Muito embora os ambientes nos transportem automaticamente para o imaginário de Beckett, estas personagens são dotadas de um realismo que transparece na lucidez dos seus argumentos quando discutem o seu futuro – futuro que, tal como o nosso, é incerto e assustador.

17 jan • Biblioteca do Palácio das Galveias • 21h30
18 jan • Fábrica do Braço de Prata • 21h30
19 jan • Biblioteca de Marvila • 16h