“Ó Mãe, Vou Emigrar!!!”, volume 2: preço dos transportes, emprego, serviço nacional de saúde

A segunda parte do guia prático criado por Patrícia Marcelino já está disponível

As capas dos três livros escritos por Patrícia Marcelino
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Entre setembro de 2014 e o mesmo mês de 2015, mais de 34 mil portugueses pediram o número de segurança social britânico para poderem trabalhar no Reino Unido. Para responder a esta tendência imposta pela crise financeira e ajudar os que ponderam engrossar os números, Patrícia Marcelino decidiu escrever, em 2015, o livro Ó Mãe, Vou Emigrar!!!, uma trilogia cujo segundo volume já está disponível.

Há quatro anos que a jovem, residente em Londres, trabalha com a comunidade portuguesa naquela cidade. O primeiro guia prático, lançado em formato digital no final do ano passado, reunia um conjunto de ferramentas e dicas essenciais para que quem está a ponderar emigrar tome uma decisão mais informada e segura antes abraçar um novo país. 

De imediato Patrícia Marcelino foi contactada por portugueses e não só, também angolanos e pessoas residentes naquele país africano que ponderavam emigrar. Ou brasileiros que viviam em Portugal. Todos lhe pediram conselhos. Esse primeiro volume indicava os documentos necessários para mudar a residência para o Reino Unido, incluindo as questões relacionadas com o subsídio de desemprego em Portugal.

O guia tem o mesmo nome das oficinas que Patrícia Marcelino realiza em Portugal para aconselhar potenciais emigrantes. “O objetivo”, garante, “não é incentivar as pessoas a emigrarem, mas atrasar o máximo possível a vinda. Devem estudar e preparar-se bem antes de pôr a mochila às costas e só tomar a decisão depois de planear bem”, explicou, em novembro de 2015, numa entrevista à agência Lusa.

O projeto Ó Mãe Vou Emigrar!!! nasceu no início desse ano em Londres, na sequência do seu extenso trabalho junto dos conterrâneos que residiam no Reino Unido, uma ação de voluntariado que começou em 2012, no ano em que a jovem chegou à capital britânica para terminar um doutoramento em comunicação. O apoio aos portugueses começou numa biblioteca em Little Portugal, com aulas gratuitas de inglês.

A ideia, que nasceu com o intuito de ajudar “algumas pessoas”, teve um sucesso tal que neste momento, a par dos workshops que vêm desenvolver com regularidade a Portugal, o trabalho da equipa de Patrícia Marcelino é já referência no recrutamento profissionais altamente qualificados de língua e expressão portuguesa em Londres, bem como no apoio a empresas portuguesas que pretendem entrar ou testar o mercado britânico.

O projeto tem parcerias com diversas instituições em Portugal, como o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), Ministério da Defesa Nacional/CIOFE, diversas Câmaras Municipais, entre outros, no sentido de providenciar gratuitamente os workshops em Portugal.

No seguimento desses workshops, é agora publicado o segundo volume do guia prático, com “tudo o que é preciso saber/fazer depois de lá/cá estar”. O livro contém informações úteis sobre, por exemplo, o preço dos transportes ou do aluguer de um quarto/casa, como procurar emprego, o sistema nacional de saúde ou Consulados de Portugal em Londres e Manchester. O terceiro guia prático há de mostrar “Tudo o que Preciso Saber e Fazer para Conseguir “Aquele” Emprego”.

Os anos que Patrícia Marcelino leva em solo britânico dizem-lhe que duas principais barreiras numa boa experiência de emigração para o Reino Unido são a falta do domínio da língua inglesa e o envio de currículos em formato inadequado. “Enviam o currículo em modelo Europass e ficam sem resposta sem perceber porquê. Aqui ninguém faz currículos dessa maneira”, vincou, nessa mesma entrevista à Lusa. Quanto ao idioma, é necessário um conhecimento mínimo. “A pronúncia não é importante porque há muitos estrangeiros e isso não impede a progressão profissional”, garantiu.

Patrícia Marcelino avisou ainda para o risco de os emigrantes ficarem no quarto de amigos, porque podem ser despejados pelos senhorios, e de calcularem o custo de vida com base no salário mínimo. “No início nem sempre se tem um trabalho normal e o dinheiro pode não chegar para pagar alojamento e transportes, que são as coisas mais caras”, advertiu.

Os livros foram inicialmente publicados em formato eletrónico de modo a chegar a todos os que não têm conseguido estar presentes nessas sessões, bem como para “chegar aos imensos pedidos que nos têm chegado de países de expressão Portuguesa – nomeadamente Angola e Brasil”, explica Patrícia Marcelino. No entanto, a procura do guia prático tem sido de tal ordem que, dentro de dias, a coleção vai estar disponível nas lojas da FNAC espalhadas por Portugal.