Companhia Nacional de Bailado apresenta ‘La Valse’ e ‘A Sagração da Primavera’

As duas coreografias vão ser apresentadas no Teatro Camões, em Lisboa, entre 9 e 17 de Novembro

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As coreografias La Valse, de Paulo Ribeiro, e A Sagração da Primavera, segundo Vaslav Nijinski, vão ser apresentadas a partir de hoje pela Companhia Nacional de Bailado (CNB) no Teatro Camões, em Lisboa.

“La Valse”, que estreou em 2012, é uma curta-metragem do realizador João Botelho na qual os bailarinos da CNB interpretam uma coreografia ao som da música do compositor francês Maurice Ravel, que compôs a melodia por volta de 1906 como tributo à valsa e a Johann Strauss II.

O artista pretendia que fosse uma obra romântica, que intitulou La Valse, un poème chorégraphique, sobre a qual escreveu ser “uma espécie de apoteose da valsa vienense”, que se misturava na cabeça do compositor “com a ideia de turbilhão fantástico do destino”.

No entanto, Ravel acabou por se alistar no exército, interrompendo a sua criação musical, e só em 1919, no final da primeira Guerra Mundial, retomou a ideia. O compositor refez integralmente a concepção inicial, influenciado pela experiência do conflito: o romantismo perdeu a importância que tinha e o ritmo da valsa derivou para o caos, numa metáfora à Europa de então. A estreia acabou por acontecer em Dezembro de 1920.

La Valse, agora reposta, é o resultado de um projecto que nasceu há oito anos pela mão da CNB, quando desafiou um coreógrafo e um realizador a explorarem a composição de Ravel e a conceberem um olhar cinematográfico sobre o movimento dos corpos.

A segunda coreografia, A Sagração da Primavera, é uma das mais famosas composições de sempre, com música do russo Igor Stravinski e cenografia original do compatriota Vaslav Nijinski. A obra protagonizou aquela que é, talvez, a mais famosa estreia de sempre de um espectáculo, a 29 de Maio de 1913, com a polícia a ter que intervir para acalmar os ânimos. Ainda hoje não se sabe se a causa de tal rebelião foi a música ou a coreografia. Certo é que A Sagração da Primavera representou uma ruptura com os cânones anteriores da composição, ainda que na sua génese tenha estado sempre a música tradicional russa.

“Na Sagração da Primavera procurei expressar o sublime nascimento da natureza renovando-se – todo o renascer panteísta da colheita universal”, escreveu Stravinski a 29 de Maio de 1913 no dossier de imprensa para a estreia do bailado. O tema encaixa perfeitamente na tradição russa pagã: a Noite de S. João no Monte Calvo de Mussorgski ou a Páscoa Russa de Rimski-Korsakov são dois exemplos anteriores em que os rituais pagãos são notórios.

Em 1987, os ingleses Millicent Hodson e Keneth Archer estrearam a reconstrução desta obra que se encontrava praticamente perdida, e que passou a fazer parte do repertório da CNB em 1994, quando estreou no Centro Cultural de Belém (CCB).

A dupla britânica, conhecida por reconstruir ballets e obras modernas dos Ballets Russes e Ballets Suédois, colaborou nesta produção para a companhia, sobretudo no trabalho de remontagem da peça. Desde Outubro deste ano que ambos têm estado também a desenvolver um processo de transmissão e remontagem do bailado junto do elenco da CNB, revela a mesma.

La Valse e A Sagração da Primavera vão estar em palco até ao dia 17 de Novembro, às quintas e sextas-feiras às 21 horas, e aos sábados 18:30. O preço dos bilhetes varia entre os 5 e os 20 euros.