Paisagem Protegida de Montejunto vai celebrar 20 anos de existência

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A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto assinala, de 26 a 28 de Julho, o seu 20.º Aniversário, com um rol de actividades promovidas pela AMAC – Associação de Municípios de Alenquer e do Cadaval. Integram o cartaz festivo uma mostra de produtos locais, actuações musicais, recriação histórica, caminhada e seminário.

As comemorações iniciar-se-ão na sexta-feira, dia 26, pelas 16h30, com a realização do Seminário “Gestão das Áreas Protegidas de Âmbito Regional”, a ter lugar no Centro de Interpretação Ambiental da Serra de Montejunto, junto ao conhecido parque de merendas.

O encontro contará com a presença, enquanto orador, do cadavalense Diogo Abreu, professor catedrático aposentado do Instituto de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Lisboa e investigador do Centro de Estudos Geográficos.

A intervir no seminário estará, ainda, Maria de Jesus Fernandes, directora do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas de Lisboa (ICNF – Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) e vogal da Comissão Directiva da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto (CDPPSM), entre outras ocupações.

Participará ainda, enquanto oradora, Dora Pereira (arquitecta), vereadora da Câmara Municipal de Alenquer e presidente da CDPPSM.

A participação no seminário é gratuita para todos os interessados, sendo, porém, conveniente formalizar-se o interesse em assistir, através do email ambiente@cm-cadaval.pt.

Para a noite deste primeiro dia comemorativo, o programa inclui a Caminhada Nocturna “Montejunto ao Luar”, de inscrições gratuitas e abertas, até 24 de Julho, via site da Câmara do Cadaval (http://www.cm-cadaval.pt/Caminhada-Nocturna-Montejunto-ao-Luar). A distância a percorrer será de cerca de 5km (dificuldade – fácil), com partida marcada para as 20h30, junto ao Centro de Interpretação Ambiental. Para tal, será aconselhável uso de lanterna e vestuário adequado a uma caminhada (nocturna).

Dia 27 (sábado), pelas 10h00, terá lugar, no Parque de Merendas da Serra de Montejunto, a Inauguração Oficial do Mercadito “Serra da Neve”, que consiste numa mostra de produtos locais, onde se inclui o artesanato, entre outros artigos regionais. O Mercadito permanecerá ao longo do dia, voltando a abrir no domingo, pela mesma hora.

Pelas 16h00, decorrerá mais uma recriação histórica do funcionamento do setecentista complexo da Real Fábrica do Gelo, onde o público poderá, gratuitamente, assistir e percepcionar como era produzido, transportado e armazenado o gelo que, a partir do no séc. XVIII, abastecia Lisboa, para a confecção de gelados e refresco de bebidas.

A terminar o momento de recriação, decorrerá, no edifício dos silos (Real Fábrica do Gelo), pelas 17h30, um “wine set” (prova de vinhos), no parque de merendas de Montejunto, acompanhado da actuação dos “Acoustic Note”, trio acústico oriundo do concelho de Alenquer.

A oferta musical prossegue no dia seguinte (domingo), no auditório externo da serra (junto ao Centro de Interpretação Ambiental). Pelas 16h00, actuarão o Grupo “Vilar a Cantar” (Cadaval); uma hora depois, apresenta-se a Orquestra Infantil da Sociedade Filarmónica União e Progresso de Abrigada (Alenquer), seguindo-se, pelas 18h00, o Rancho Folclórico de Olhalvo (Alenquer).

Real Fábrica do Gelo: breve resenha histórica

O crescente consumo do gelo no séc. XVIII, não apenas na corte e no seio da nobreza, mas também nas camadas burguesas e populares, terá motivado a construção da Real Fábrica do Gelo em Montejunto, que seria a única serra, de entre um conjunto de elevações próximas de Lisboa, que oferecia as condições climatéricas necessárias à congelação da água durante a estação invernosa.

Após retirados dos poços de conservação, os blocos de gelo eram envolvidos em palha e serapilheira e transportados, até à base da serra, no dorso de burros.

O gelo seguia depois viagem, no interior de carros de bois, até ao rio Tejo, onde prosseguia a bordo dos “barcos da neve”. Chegados a Lisboa, abasteciam tanto a corte como alguns dos principais cafés alfacinhas, tais como o Martinho da Arcada. A produção de gelo na serra de Montejunto terá cessado no final do século XIX.

Paisagem Protegida criada a 22 de julho de 1999

O Decreto Regulamentar n.º 11/99 de 22 de Julho permitiu criar a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto (PPSM), como Área Protegida de Âmbito Regional, que atinge, assim, os 20 anos de existência.

Este reconhecimento pretendeu propiciar uma mais equilibrada fruição da serra, em primeiro lugar pelas populações locais, fomentando a promoção das actividades tradicionais. Quis, por outro lado, atrair visitantes à prática de actividades de recreio e lazer, com respeito pelos valores naturais e patrimoniais.

Integram actualmente a PPSM os Municípios de Cadaval e de Alenquer e o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas.