Beja assinala 350 Anos das Cartas de Mariana Alcoforado

Publicidade

Beja comemora em 2019 os 350 anos da primeira edição das “Cartas Portuguesas” de Soror Mariana Alcoforado.

O “Festival B” será dedicado a Mariana Alcoforado e às “Cartas Portuguesas”:uma das mais bonitas histórias de amor. Uma paixão sublime, não correspondida. Uma paixão que nasceu num dia especial, do ano de 1666, através da janela gradeada de um convento. Uma paixão tornada universal, pelas cinco cartas escritas a um jovem oficial da cavalaria francesa, de seu nome Nöel Bouton, Marquês de Chamilly e, mais tarde, Conde de S. Saint-Lèger.


Embora os originais das cartas não tenham chegado aos nossos dias, sabemos da sua existência pela primeira edição das mesmas, datada de 4 de Janeiro de 1669, em França, por Claude Barbin, com o título “Lettres Portugaises Traduites en François”. No mesmo ano seguiu-se uma outra edição, na cidade alemã de Colónia, por Pierre du Marteau. As edições sucederam-se um pouco por toda a Europa e, já em 1923, de acordo com Godofredo Ferreira, estudioso e coleccionador das obras sobre as cartas, existiam 130 edições em diversas línguas: francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, dinamarquês, holandês e português.

Este amor maior, “grande de mais para um só ser”, como escreveu o poeta Reiner Maria Rilke, foi, e continua a ser, fonte de inspiração para poetas, filósofos, escritores, cineastas, artistas plásticos, músicos… Sucedem-se as obras e as edições.
Em 2019, comemoramos os 350 anos da primeira edição das “Lettres Portugaises”.

As iniciativas começam no dia 4 de Janeiro com a inauguração da exposição permanente 100 PASSOS no próximo dia 4 de Janeiro, às 19h00, no Museu Regional de Beja, com o apoio do Arquivo Distrital de Beja. Esta exposição é promovida pela Câmara Municipal de Beja, a CIMBAL e o Museu Regional de Beja, insere-se na programação do Festival B – Beja, Cidade de Mariana Alcoforado e estará patente ao público até ao dia 31 de Dezembro de 2019.

Em sentido figurado Mariana Alcoforado viveu a sua vida no espaço físico de 100 passos. Aquando do seu baptismo na igreja de Santa Maria e logo aos 11 anos quando ingressou no Convento de Nossa Senhora da Conceição as distâncias muito curtas desde a casa de seus pais limitaram a sua vivência no espaço e na vida. A exposição 100 passos procura retratar esse espaço, que embora curto, não coibiu o surgimento de uma enorme paixão e de um amor maior, “grande demais para um só ser” como definiu o poeta Reiner Maria Rilke.

A Câmara Municipal de Beja está ainda a preparar um alargado programa dedicado à figura e ao legado de Mariana Alcoforado em 2019.