Serralves recorda todo o cinema de Teresa Villaverde

A retrospectiva da obra da cineasta vai decorrer entre 16 e 25 de Dezembro no Auditório de Serralves

Cena do filme 'Colo' (2017), de Teresa Villaverde
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O cinema da realizadora portuguesa Teresa Villaverde vai estar em destaque este mês em Serralves, no Porto, numa retrospectiva integral da obra de uma cineasta que “nunca deixou de estar atenta à urgência do tempo, contraditório e incómodo”, anunciou a Fundação de Serralves.

A iniciativa é organizada pelo ensaísta António Preto e vai começar no dia 16 com a exibição do filme Os mutantes, de 1998, sobre a vida disfuncional de três jovens desajustados da sociedade, protagonizados por Ana Moreira, Alexandre Pinto e Nelson Varela.

Não sendo fixamente cronológica, a retrospectiva dedica os primeiros dias às obras de Villaverde dos anos 1990, incluindo Alex, A idade maior (1991) e Três irmãos (1994). Segue-se, no dia 21, a curta experimental Cold wa(te)r (2004), que faz parte da antologia europeia Visões da Europa, e a ficção Transe, de 2006.

Até ao final do ciclo, que termina a 25 de Novembro, o programa inclui, entre outros, o documentário A favor da claridade (2004), sobre o artista plástico Pedro Cabrita Reis, ou a ficção Colo, de 2017, a mais recente da cineasta, que tem como referência a última recessão económica.

Nascida em Lisboa, em 1966, Teresa Villaverde “pertence ao grupo de cineastas que se afirma em Portugal na década de 1990” e que tentou emancipar-se dos cânones da “escola portuguesa”, nomeadamente no que respeita às questões identitárias e à especificidade da cultura nacional, “abrindo-se (com o país) aos ares europeus e reagindo de uma forma mais directa ao que pareciam ser os problemas próprios do seu tempo”, lembra a Fundação de Serralves.

A obra da cineasta, uma autodidacta, tem afinidades com a de outros da sua geração, como Pedro Costa ou João Canijo, nada que impeça Villaverde de ser “um caso à parte”, segundo a fundação, pelo seu percurso enquanto mulher e realizadora.