Caricatura do romance 'Os Maias"
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No Verão de 1888 a Livraria Chardon, que depois mudou o nome para Lello, no Porto, publicava, em dois volumes, o romance que tornaria famoso Eça de Queiroz: Os Maias. O livro estava praticamente pronto há sete anos, como prova a carta enviada pelo escritor, então a viver em Bristol, Inglaterra, ao amigo Ramalho Ortigão, revelando que decidira fazer “não só um ‘romance’, mas um romance em que pusesse tudo o que tenho no saco”.

Tais palavras inspiram o título da exposição que a Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, inaugura na próxima terça-feira, dedicada à “vasta máquina” que são Os Maias, “com proporções enfadonhamente monumentais de pintura a fresco, toda trabalhada em tons pardos, pomposa e vã, e que me há-de talvez valer o nome de Miguel Ângelo da sensaboria”, como descreveu o próprio Eça numa outra carta dirigida a Oliveira Martins.

A crítica foi feroz, mas Eça respondeu sempre com o seu característico e sarcástico humor. Os cinco mil exemplares publicados não deslumbraram e só no século XX o romance foi reconhecido como a obra-prima do escritor e um clássico da literatura portuguesa.

“Tudo o que tenho no saco” gira à volta d’Os Maias, mas olha igualmente para outras obras do autor ao longo dos sete núcleos que a compõem. A exposição vai exibir crónicas, romances, contos, muitas cartas, fotografias, pinturas, caricaturas, música da época ou excertos de filmes, bem como objectos do espólio pessoal de Eça guardados na Casa de Tormes (propriedade da Fundação Eça de Queiroz) e nunca antes mostrados em Lisboa, como é o caso da secretária pessoal onde ele escrevia, de pé, e da cabaia chinesa que lhe foi oferecida pelo Conde de Arnoso.

A mostra contém ainda muitas outras peças que remetem para a geografia física e ficcional daquele que falava de si dizendo ser “apenas um pobre homem da Póvoa de Varzim”. A exposição tem entrada livre e vai poder ser visitada entre 30 de Novembro deste ano e 18 de Fevereiro de 2019 entre as 10 e as 18 horas, encerrando às terças-feiras.