Nacional 2: Muito mais do que uma estrada

Património cultural, gastronómico, termal, religioso, vínico e desportivo unem-se numa só rota, a Rota da Nacional 2. Viva tudo isto em 739 quilómetros de estrada, de norte a sul de Portugal

Luís Machado, presidente da Associação de Municípios da Rota da EN2 e presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião. | Fotografia: Tiago Canoso
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A Estrada Nacional 2, que liga Portugal de Norte a Sul, desde Chaves até Faro, é a terceira estrada mais extensa do mundo, com 739 quilómetros e 260 metros, logo a seguir à rota 66 dos Estados Unidos da América (EUA) e à rota 40 da Argentina.

Durante muitos anos esta estrada foi a via de comunicação entre o norte e o sul de Portugal. Apesar de alguns dos seus troços existirem há mais de um século, havendo nomeadamente referências aos fontanários, a Estrada Nacional 2 só foi consagrada a 11 de maio de 1945, altura que em saiu um novo decreto relativo ao plano rodoviário e foi necessário proceder a uma nova classificação das estradas.



Com o objectivo de promover e valorizar a estrada e os vários municípios que a integram, foi criada uma Associação de Municípios da Rota da EN2 em Novembro de 2016. Actualmente, pertencem a esta Associação 33 municípios: Chaves, Vila Pouca de Aguiar, Vila Real, Santa Marta de Penaguião, Peso da Régua, Lamego, Castro Daire, São Pedro do Sul, Viseu, Tondela, Santa Comba Dão, Mortágua, Penacova, Vila Nova de Poiares, Lousã, Góis, Pedrógão Grande, Sertã, Vila de Rei, Sardoal, Abrantes, Ponte de Sor, Mora, Coruche, Montemor-o-Novo, Ferreira do Alentejo, Viana do Alentejo, Aljustrel, Castro Verde, Almodôvar, São Brás de Alportel, Loulé e Faro.

Uma paixão e um privilégio

Foi em Santa Marta de Penaguião que nasceu este projecto, da paixão que o município e o presidente da autarquia nutrem pela estrada. “Cresci a paredes meias com a N2, joguei à bola e fiz muitos jogos de criança na N2. Vivemos momentos inesquecíveis, principalmente nas corridas de Vila Real e nas romarias, nomeadamente na Senhora dos Remédios, em Lamego, em que contávamos os autocarros que passavam aqui”, relembra Luís Machado, presidente da Associação de Municípios da Rota da EN2 e presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião. “Quando iniciámos este projecto criámos uma grande aldeia de vizinhança, que neste momento “só” tem 681 mil habitantes. É a maior aldeia de Portugal, a aldeia da Estrada Nacional 2”, refere.

A Rota da N2 engloba quatro patrimónios mundiais da humanidade: o Chocalho, o Cante Alentejano, o Barro de Bisalhães e o Alto Douro Vinhateiro. Tem um roteiro termal, barragens, turismo cultural e religioso. Reúne grande parte da gastronomia portuguesa e quase todos os vinhos. Para promover a gastronomia, pretende-se criar ementas características de cada local, que levem o turista a conhecer os produtos endógenos de cada região. Actualmente, já estão a ser planeadas a recuperação das casas dos cantoneiros e de alguns fontanários.

“Fazer a Nacional 2 e principalmente viver a Nacional 2 é uma experiencia inesquecível”. Esta estrada pode ser feita a pé, de bicicleta, de mota, de carro, de caravana… Num dia, dois, uma semana ou até um mês. Seguida ou por etapas. “Queremos que a estrada seja uma referência para a valorização dos nossos territórios e uma grande oportunidade para quem lá vive mostrar aquilo que de bom se tem no interior do país. Temos pela primeira vez a oportunidade de complementar o turismo de praia. Esta oportunidade nunca existiu antes. Estamos convencidos de que vai ser uma grande oportunidade e um grande privilégio para todos os que a possam fazer”, frisa. A associação já tem solicitações de vários grupos de turistas de várias nacionalidades que querem fazer a Nacional 2 e pretendem obter mais informações. “Penso que internacionalmente e na Europa está aqui de facto uma oportunidade para nós, diferenciadora”.

Um projecto de experiências

“Estou convencido de que quem fizer a Estrada Nacional 2 vai chegar à conclusão de que foi, de longe, uma das melhores férias que fez, um dos melhores programas turísticos que fez, porque vai ter a oportunidade de ganhar e sentir experiências. Este é um projecto de experiências, porque é um projecto de proximidade. E o nosso envolvimento e empenhamento são tão grandes que o turista que quiser fazer a Nacional 2 e ser recebido pelos autarcas de cada município vai poder fazê-lo. Estamos convencidos de que já neste Verão lançaremos o passaporte, para assegurar os carimbos de visita a cada município, e também a informação turística daquilo que já existe”, sublinha.

Para além dos municípios envolventes, este projecto conta com o apoio das Infra-estruturas de Portugal, das entidades regionais de turismo e do Turismo de Portugal. “Conseguimos reunir num só projecto, num só produto, a maior oferta nacional. Mas se formos mais à frente e criarmos uma base de dados de todos os produtos e de todas as oportunidades que cada um de nós pode oferecer, vamos ter certamente a maior base de dados nacional de oferta turística e de produtos regionais”. Uma das prioridades da Associação é tornar esta rota segura, cómoda e confiável. É preciso investimentos de segurança e de sinalização.

O médio/longo prazo, a ideia de uma associação à Route 66 é aliciante. “Se daqui a cinco ou seis anos conseguirmos uma geminação com a Route 66, temos aqui um potencial fabuloso. Estou convencido que vêm muitos americanos de propósito para a fazer, mas estou convencido que todos os americanos que venham a Portugal a vão fazer”, afirma.

“É um projecto que já não é nosso, porque ele vai viver anos e anos para além de nós. Esperamos que quando estivermos no sofá, de chinelos, nos lembremos que este projecto sempre cresceu e está vivo”, conclui.


Fique a conhecer melhor estes municípios e aproveite para planear as suas férias e visitar alguns destes locais. De carro, mota, bicicleta, caravana ou a pé; de uma vez só ou por etapas, a N2 pode ser feita de variadas formas. Visite a edição completa no link seguinte: Rota da Estrada Nacional 2.